Vírus agressivo

Em São Paulo, a cada cinco pacientes de covid-19 em UTI, um morre

Mortalidade geral no estado é de 8%, bem acima dos 3% registrados na China, onde a pandemia começou. Dados são do Comitê de Contingência paulista

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Uso da dexametasona em pacientes graves pode reduzir mortes em 33% nas UTI. Infectologistas comemoram

São Paulo – O Comitê de Contingência do Coronavírus de São Paulo revelou hoje (14) que a taxa de mortalidade de pacientes de covid-19 que são internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) é de 20% – ou um paciente em cada cinco. Além disso, a mortalidade geral no estado está em 8% dos casos confirmados, muito acima dos 3% registrados na China, onde a pandemia começou. “Essa situação não ocorre por falta de UTI. Ainda não tivemos colapso no sistema de saúde em São Paulo. Mas porque o coronavírus é muito mais agressivo do que se imaginava”, alegou o coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde, Paulo Menezes, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes.

Ele destacou a importância de a população aderir ao isolamento social não só para evitar um eventual colapso do sistema de saúde paulista, mas porque a covid-19 tem se mostrado mais grave e imprevisível com o avanço da pandemia. “Em muitos casos ela evolui como uma doença sistêmica, não apenas pulmonar. E que pode matar ou causar sequelas, não só nos chamados grupos de risco. Por isso pedimos que as pessoas fiquem em casa. Não é só para garantir espaço no sistema de saúde, é para não correr risco”, afirmou Menezes.

Segundo o coordenador da Secretaria da Saúde paulista, além dos 20% que morrem, boa parte dos pacientes que chegaram a necessitar de UTI e se recuperaram da covid-19 sofre alguma complicação renal, problemas cardiovasculares ou sequelas pulmonares. “São problemas que vão acompanhar essas pessoas pelo resto da vida”, salientou. O estado de São Paulo registra hoje 54.286 casos, com 4.315 mortes. A taxa de ocupação de UTI está em 69% no interior e 85% na Grande São Paulo.

Dados do comitê indicam que os principais fatores de risco associados à mortalidade por covid-19 são problemas cardiovasculares (59,4% dos óbitos), diabetes (44%), doença neurológica (11,5%), doenças renais (11,1%) e doenças respiratórias (9,9%). Outros fatores identificados são imunodepressão, obesidade, asma e doenças sanguíneas e do fígado. Levantamento da Rede Nossa São Paulo indica que 38% da população da capital paulista se enquadra em pelo menos um desses fatores de risco.

O coordenador do comitê, Dimas Covas, destacou que ainda não se atingiu o pior momento em relação à queda no isolamento social, que hoje está em 48%. Dados do comitê mostram uma queda acentuada na proporção de casos em São Paulo em razão da quarentena. Em 15 de março, o estado tinha 68% de todos os casos e mortes registrados em todo os país. Em 15 de abril, eram 49% dos casos e 55% das mortes. E atualmente, o estado responde por 27% dos casos e 31% das mortes ocorridas no Brasil. “Isso mostra a efetividade da política de isolamento social”, afirmou.

UTI no limite

Embora a situação da ocupação de UTI no estado ainda não acenda o sinal vermelho, na capital paulista a situação está próxima do limite. Ontem (13), seis hospitais municipais fecharam as portas para novos pacientes. Hospital Doutor José Soares Hungria, em Pirituba, e o Hospital Vereador José Storopolli, na Vila Maria, na zona norte; o Hospital Saboya, no Jabaquara, zona sul; e os hospitais Planalto, em Itaquera, Inácio Proença de Gouvêa, na Mooca, e Municipal de Cidade Tiradentes, na zona leste, chegaram a 95% de ocupação das UTI.

Além disso, nas últimas três semanas, os 20 distritos mais pobres da capital paulista registraram aumento médio de 170% nas mortes causadas pela covid-19. Os distritos com mais mortes são Brasilândia, com 133, e Cachoeirinha, com 99, na zona norte; e Capão Redondo, com 99, e Grajaú, com 94, na zona sul. Em Sapopemba, na zona leste, foram 131 mortes. A região leste, além de ter mais hospitais no limite da capacidade de atendimento, é a que concentra o maior número de mortes, 1.856, número que deve ser maior, pois os dados da Secretaria Municipal da Saúde por distrito remetem ao dia 8.

Na próxima terça-feira (20), o governo estadual pretende inaugurar o seu terceiro hospital de campanha, na região de Heliópolis. Serão 200 leitos somente para pacientes de covid-19.


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