Nova realidade

ONU vê risco para gestantes e bebês com sistema de saúde sobrecarregado

Unicef estima que 116 milhões de crianças nascerão durante a pandemia do novo coronavírus

André Borges/ Agência Brasília
Brasil está entre os 10 países com maior número esperado de nascimentos, com 2,3 milhões

São Paulo – A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que gestantes e recém-nascidos estão ameaçados com os sistemas de saúde sobrecarregados em decorrência da pandemia da covid-19. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que 116 milhões de crianças nascerão durante a pandemia do novo coronavírus. O órgão explica que, com os cuidados voltados ao vírus, os serviços de saúde vitais, como assistência aos partos, podem não dar conta da demanda.

Segundo Henrietta Fore, diretora-executiva do Unicef, as mães precisam se preparar para trazer uma vida a um mundo muito diferente. “Um mundo onde as gestantes receiam ir aos centros de saúde por medo de serem infectadas, ou estão perdendo cuidados emergenciais devido a serviços de saúde sobrecarregados e medidas de confinamento”, afirmou.

Desde que foi decretada a pandemia, em 11 de março, os países com o maior número esperado de partos são: Índia (20,1 milhões), China (13,5 milhões), Nigéria (6,4 milhões), Paquistão (5 milhões) e Indonésia (4 milhões). O Brasil está entre os 10 países com maior número esperado de nascimentos, com 2,3 milhões.

Rio de Janeiro

O Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense (RJ), referência para o tratamento de grávidas com covid-19, está sem medicamentos básicos para cuidar das pacientes.

De acordo com reportagem de O Globo, a maternidade tem 17 Unidades de Tratamento Intensivos (UTIs) e apenas uma está livre. Do total, 10 são destinadas às gestantes infectadas pelo novo vírus e há fila de espera pela vaga.

Segundo o jornal, os insumos básicos já acabaram, como sedativos e bloqueadores neuromusculares, considerados importantes para colocar o paciente em respiração mecânica.

O hospital é administrado pela OS Instituto Gnosis, que pediu ao Estado um aditamento no contrato para a compra de medicamentos e equipamentos. “Não perdemos nenhuma grávida para a covid-19, mas, a falta de medicamentos básicos na hora de entubar, pode mudar este quadro. A grávida precisa, além do isolamento que a doença exige, que haja intensivistas e obstetras de plantão, porque o bebê precisa ser examinado constantemente”, explicou um funcionário.