Saúde pública

Mais Médicos melhorou indicadores de saúde, aponta estudo da Fiocruz

Com o programa, esvaziado pelo governo Bolsonaro, cidades reduziram internações relacionadas à atenção primária e o cuidado pré-natal melhorou

Valter Campanato/Agência Brasil
Mais Médicos esteve presente em 72% dos municípios brasileiros e atendia 62% do total da população

São Paulo – O Programa Mais Médicos melhorou diversos indicadores de saúde, entre 2013 e 2017, nos municípios mais vulneráveis do país. A avaliação é de um estudo coordenado pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz).

A pesquisa analisou dados de 1.455 municípios de todo o Brasil. O estudo aponta que, como resultado do Mais Médicos, as cidades reduziram as internações por condições sensíveis à atenção primária. O cuidado pré-natal também melhorou, o que diminuiu a mortalidade infantil.

De acordo com o levantamento, o Mais Médicos foi uma iniciativa importante de enfrentamento de desigualdades. “Eespondeu às limitações impostas pelas dinâmicas de mercado e que excluem do atendimento à saúde os municípios remotos e que concentram pobreza”.

O cientista Ricardo Dantas é coordenador do Projeto Avaliação do Desempenho do Sistema de Saúde (Proadess). Em entrevista ao portal Fiocruz, Dantas disse que a ampliação do acesso das populações mais vulneráveis ao atendimento médico fez diminuir os números de mortes e de internações por “doenças evitáveis”.

Médicos cubanos

Outra constatação importante do estudo indica que em muitos municípios pequenos e remotos, a presença de médicos e enfermeiros do Mais Médicos representou a primeira oportunidade dos cidadãos de atenção regular à saúde.

A análise foi feita em dois grupos de municípios “considerados mais vulneráveis”. As cidades com 20% ou mais da população abaixo da linha de pobreza. E regiões com mais de 80 mil habitantes, que apresentam os maiores percentuais de população em situação de pobreza.

O Mais Médicos atuou em 72% dos municípios e a estimativa de cobertura do programa nesses municípios era de 62% do total da população. O programa foi composto majoritariamente por profissionais de saúde cubanos, diante do desinteresse dos brasileiros.

“No momento atual, marcado pela covid-19, é oportuno tratar da disponibilidade de profissionais nos municípios mais vulneráveis do país, os quais já foram ou serão atingidos pela epidemia e que, mesmo em situações usuais, já apresentam dificuldades para garantir acesso e efetividade de cuidados em saúde à sua população”, ressalta Dantas. 

Os médicos cubanos deixaram o Brasil após ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro ao programa. De acordo com o governo de Cuba, cerca de 20 mil colaboradores do país atenderam 113,3 milhões de pacientes em mais de 3.600 municípios durante cinco anos.