Mais rigidez

Fiocruz recomenda ‘lockdown’ já no Rio de Janeiro

Fiocruz alerta Ministério Público que sem adocão de “lockdown” faltarão leitos em maio e que evitar evitar aumento de casos e mortes exige distanciamento

Tomaz Silva/Agência Brasil
Estado tem 13.295 casos confirmados da doença, com 1.112 pessoas estão na fila de espera por um leito

São Paulo – A Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) enviou relatório ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), nesta quarta-feira (6), em que defende a adoção urgente do lockdown no estado e medidas mais rígidas de isolamento social. No documento, afirma que as ações ajudariam na redução do ritmo de crescimento de casos.

Além disso, poderia dar algum fôlego para a preparação do sistema de saúde conseguir prestar atendimento adequado aos casos graves de covid-19. Caso não sejam tomadas medidas mais rígidas, haverá um agravamento da epidemia e faltarão leitos já neste mês. A situação levar a um número expressivo de mortes que poderiam ser evitada, diz a fundação.

“Frente ao agravamento do cenário da pandemia, com o gradativo aumento de circulação de pessoas nas últimas semanas, a não adoção de medidas imediatas de lockdown pode levar a um período prolongado de escassez de leitos e insumos, com sofrimento e morte para milhares de cidadãos e famílias do estado do Rio de Janeiro”, afirma a Fiocruz.

Ainda nesta quarta, o Rio de Janeiro atingiu recorde de casos confirmados e mortes registradas. Foram 82 mortes confirmadas em um dia, totalizando 1.205. O estado tem 13.295 casos confirmados da doença, com 1.112 pessoas estão na fila de espera por um leito.

Urgência

A Fiocriuz destaca que a implantação do lockdown no estado não pode acontecer sem a adoção de medidas de apoio econômico e social às populações vulneráveis, principalmente as que dependem de trabalho informal ou precário.

O estudo aponta diversas medidas que devem ser aplicadas, entre elas: a reestruturação e instalação de serviços de saúde emergenciais em localidades populosas e com maior vulnerabilidade social; transferências de renda; ações de segurança alimentar e nutricional; proteção ao emprego; acesso a água e saneamento; apoio e reforço a medidas de limpeza e higiene; e ações específicas de vigilância e controle da propagação da doença nas prisões.

A Fiocruz reitera a necessidade de investimentos emergenciais para a ampliação de serviços, como leitos de UTIs, mas acrescenta: “Sabe-se que tais medidas não serão suficientes se não forem asseguradas ações rígidas de distanciamento social ou de lockdown.”

Lockdown pelo país

O Brasil registrou 8.536 mortos, nesta quarta-feira, por causa do novo coronavírus. O país já é o sexto país do mundo em número absoluto de óbitos. Foram 10.381 novos doentes confirmados em apenas um dia. De acordo o Ministério da Saúde, 125.096 pessoas já foram infectadas pelo novo coronavírus.

Para frear a contaminação e reduzir a superlotação de hospitais, a região Metropolitana de São Luís está com bloqueio geral, desde a última terça-feira (5). Com isso, os serviços não essenciais permanecem fechados e há restrição de mobilidade no local.

O segundo estado que aderiu a paralisação geral é o Pará. A região começou o lockdown nesta quinta-feira (7) e ficará assim até o próximo dia 17. A medida começa a ser adotada de forma ‘educativa’ até o próximo domingo (9). Depois, serão aplicadas punições em caso de descumprimento.

O que é lockdown

Lockdown, em inglês, significa confinamento, fechamento. Diante da pandemia da covid-19 a expressão tem sido empregada para designar medidas mais severas determinadas por governos. O objetivo é ampliar o distanciamento social.

As medidas de isolamento social são recomendadas pelas autoridades de saúde. Se uma comunidade não segue a recomendação, o poder público pode forçar as pessoas e estabelecimentos a aderir. Por exemplo, fixando períodos de quarentena e determinado o que pode e o que pode funcionar.

O lockdown autoriza o poder público a bloquear todas as atividades que não sejam consideradas essenciais, fechar vias de deslocamento, proibir viagens não essenciais e impor punições. Estas podem de aplicação de multa, fechamento forçado de atividades comerciais e industriais e até a prisões por descumprimentos de ordem da autoridade local.