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Comitê de combate à covid-19 do governo Doria aponta necessidade de ‘lockdown’

Em 30 dias, interior de São Paulo teve explosão de casos de coronavírus, com aumento de 3.300%. Na Grande São Paulo, crescimento foi de 770%

Rovena Rosa/Agência Brasil
Manutenção do isolamento social é vista como necessária por parte dos paulistanos por segurança na pandemia

São Paulo – O Comitê de Contingência do Coronavírus de São Paulo apontou hoje (7) para a adoção de um lockdown – termo em inglês para descrever medidas rígidas de fechamento de regiões – para obrigar ao isolamento social como medida necessária ao governo de João Doria (PSDB) para conter o avanço da pandemia de coronavírus. Doria, que vinha evitando decretar a medida, vai fazer anúncios sobre o tema em coletiva de imprensa amanhã (8). Entre 1º e 30 de abril, o interior teve explosão de casos de coronavírus, com aumento de 3.300% – de 129 para 4,3 mil casos. Na Grande São Paulo, o crescimento foi de 770% – de 2,7 mil para 24,3 mil. O estado chegou a 39.928 casos, com 3.206 mortes.

O comitê avalia o cenário como extremamente preocupante e o secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, evitou afirmar, mas apontou para a adoção de lockdown por Doria. “Amanhã teremos uma coletiva que vai tratar exatamente desse assunto. Estamos sempre trabalhando com cenários e muito alertas quanto às providências que temos que tomar a cada dia para enfrentar uma epidemia dessa natureza”, afirmou. Doria havia anunciado que iniciaria um relaxamento da quarentena no dia 11 de maio, mas as medidas devem ser mais restritivas.

Segundo o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, é preciso aumentar urgentemente a adesão ao isolamento social, que atualmente está na casa de 47% da população. Dados apresentados por ele indicam que sem isolamento, cada pessoa contamina, média, outras três pessoas. Com 30% de adesão, a contaminação passa a duas pessoas por pessoa contaminada. Com 55%, 1,16 pessoa. E com 70%, passa a 0,87. A capital paulista adotou um novo sistema de rodízio de veículos para reduzir a circulação de pessoas.

O presidente do Conselho Estadual de Secretários Municipais da Saúde de São Paulo, Geraldo Reple, destacou que a relação entre internações de pacientes com covid-19 e os que recebem alta é muito desigual. “Temos mil novas internações para cada 600 altas concedidas. Se continuar assim – baixa adesão ao isolamento e muitas internações – vamos entrar em uma fase extremamente complicada. Até o fim do mês, todas as cidades terão casos e mortes. E muitas dessas cidades não têm um único leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”, disse Reple.

A taxa de ocupação de UTI no estado está em torno de 67%. Na Grande São Paulo, é de 89,6%. São 3.767 pessoas internadas em UTI e 5.919 em enfermarias. Foram registrados 2.075 novos casos e 161 novas mortes em 24 horas.