engodo letal

Bolsonaro libera, mas paciente de covid-19 terá de se responsabilizar pelo uso de cloroquina

Sem assinatura de médico responsável, protocolo dispensa a realização de exames de imagem e laboratoriais para confirmar a doença. Basta o exame clínico

Reprodução
Mesmo sabendo que não há estudos comprovando a eficácia da cloroquina na covid-19, Bolsonaro não sossegou até publicar diretriz para uso da droga no SUS

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro aproveitou que a pasta da Saúde está sem ministro e publicou hoje (20) um protocolo para prescrição da cloroquina e sua versão menos tóxica, a hidroxicloroquina, por médicos da rede pública de saúde para pacientes com covid-19.

Sem autoria conhecida e sem assinatura de médico responsável, as diretrizes recomendam o uso das drogas desde os primeiros sinais da doença causada pelo novo coronavírus, independente da realização de exames de imagem e laboratoriais que confirme o quadro. Basta o exame clínico e a assinatura do paciente, afirmando, entre outras coisas, estar ciente de que não há, até o momento, estudos demonstrando melhora clínica dos pacientes com covid-19 quando tratados com hidroxicloroquina.

Trechos do protocolo baixado por Jair Bolsonaro: paciente que quiser ser tratado com cloroquina fica à própria sorte

Defendidas por Bolsonaro como “cura certa” para a pandemia, essas drogas foram estudadas, aprovadas e são normalmente usadas para o tratamento da malária e doenças autoimunes, como o lúpus. E com o surgimento da covid-19, no ano passado, começaram a ser testadas contra os efeitos do coronavírus.

No entanto, os estudos são incipientes e muitos deles têm apontado para complicações cardíacas nesses pacientes. Por isso são necessários muitos outros estudos quanto à eficácia e principalmente à segurança.

Segundo o protocolo, Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou recentemente que médicos receitem a seus pacientes a cloroquina e a hidroxicloroquina. Na verdade, a autarquia condicionou o uso a critério médico e consentimento do paciente. E após analisar extensa literatura científica, “reforçou seu entendimento de que não há evidências sólidas de que essas drogas tenham efeito confirmado na prevenção e tratamento da covid-19” – fato que o protocolo do Ministério sequer aborda.

A publicação de um protocolo para cloroquina e a flexibilização das medidas de isolamento, rechaçadas pelo primeiro ministro da Saúde de Bolsonaro, o médico Luiz Henrique Mandetta, motivaram sua saída, em abril. O mesmo aconteceu com seu sucessor, o também médico Nelson Teich, que ficou no cargo apenas 26 dias.

Confira algumas das reações nas redes sociais:


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