balanço

Número de mortos pela covid-19 em um dia no Brasil volta a passar de 400

Total de óbitos pelo novo coronavírus é de 5.466. Soma de casos confirmados teve seu dia de maior expansão: são, oficialmente, 78.162 doentes

govesp
Hospitais cada vez mais lotados, cidades já percebem o colapso no sistema de saúde. Enquanto isso, o presidente, Bolsonaro, segue com sua postura de descaso

São Paulo –  Em mais um dia com o número de mortos pelo novo coronavírus acima de 400, o Brasil chega nesta quarta-feira (29) a 5.466 óbitos oficialmente registrados. Foram 449 vítimas em 24 horas. O número de doentes teve sua maior alta desde o início do surto: foram confirmados 6.276 novos casos, totalizando 78.162. A letalidade da covid-19 no país segue sendo de 7%.

Segundo boletim divulgado na tarde de hoje pelo Ministério da Saúde, a pandemia aponta provável início da fase mais explosiva. Estudo da Imperial College, da Inglaterra, indica que o Brasil tem a maior taxa de contágio do mundo no momento, e que o número de brasileiros mortos deve superar o de países como Itália e Espanha. Ontem, os casos fatais já superaram os da China.

Enquanto autoridades de estados e municípios trabalham para tentar manter o isolamento social, com a finalidade de evitar o colapso dos sistemas de saúde, o presidente Jair Bolsonaro continua no caminho oposto. Questionado, na noite de ontem, sobre os mais de 5 mil mortos pelo coronavírus no país, o ele afirmou: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”.

Em mais um ato de insistência em contrariar autoridades de saúde e orientações consensuais em todo o mundo democrático, Bolsonaro editou hoje decreto ampliando setores considerados essenciais e que devem voltar à atividade normal. Entre eles, está até o desenvolvimento de startups, além de igrejas e outros setores do comércio.

Na mesma medida, cai a adesão momentânea ao isolamento social, como em São Paulo, epicentro da pandemia no país: em uma semana, o percentual da população que ficou em casa para se proteger da contaminação foi de quase 60% para 48%.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), lamentou a postura do presidente e fez fortes ataques. “Saia da bolha do ódio. Percorra hospitais. Visite o Hospital das Clínicas. Visite Manaus, apoie o governador do Amazonas e o prefeito de Manaus”, declarou, em referência à cidade do Norte do país que tem seu sistema de saúde e funerário em colapso por falta de leitos, equipamentos de segurança e até caixões.

Os números

São Paulo tem 26.158 casos de covid-19 confirmados e 2.247 mortos – o maior número de ocorrências. Destes casos, 84,8% estão na Grande São Paulo, especialmente na capital que, sozinha, concentra mais de 15 mil casos e 1.321 óbitos.

Na sequência vem o Rio de Janeiro, com 8.869 doentes e 794 mortos. O governador Wilson Witzel (PSC) também fez duras críticas a Bolsonaro e alertou que o estado já apresenta sinais de colapso no sistema de saúde.

O terceiro estado mais afetado é o Ceará. São 7.267 doentes confirmados e 448 mortos. Pernambuco vem na sequência, com 6.194 casos e 538 mortos. O Amazonas está com 4.801 doentes e 380 mortos confirmados pela covid-19. Existe ampla taxa de subnotificação, o que pode estar “maquiando” os dados, que devem ser muito piores, de acordo com estudos de instituições como universidades federais e a Fundação Oswaldo Cruz.