renda emergencial

‘O governo federal ainda não se moveu para cumprir a lei’, diz Flávio Dino

Segundo governador, a urgência em pagar o benefício da renda mínima está de acordo com o “caminho que praticamente todos os países do mundo estão fazendo”

Reprodução
Se fraquejarmos agora, e se adotássemos caminhos errados como outros países, o preço é muito caro e irreparável"

São Paulo – “Faço questão de mais uma vez sublinhar a imprescindibilidade do cumprimento imediato da lei relativa à renda básica de cidadania, aprovada por deputados e senadores. Infelizmente, chegamos ao final da semana em que lamentavelmente o governo federal ainda não se moveu para cumprir a lei, é isto muito grave.” O protesto é do governador do Maranhão, Flávio Dino, em entrevista coletiva no final da tarde de hoje (3).

Segundo ele, a urgência está de acordo com o “caminho que praticamente todos os países do mundo estão fazendo”. Esse caminho é garantir renda para autônomos, informais e todos os cidadãos que necessitam do benefício. “O Brasil é praticamente o último país do mundo a fazer isso”, disse. “Que o presidente da República mande pagar e cumpra a lei.”

Dino convidou a sociedade do Maranhão a permanecer unida e confiante, “porque essa crise sanitária grave há de passar, mas nós estamos num momento de crescimento dos casos e precisamos ter prudência”.

De acordo com ele, hoje, 82 municípios maranhenses têm casos suspeitos e há 88 confirmações. Mais de 95% dos casos confirmados estão na capital, São Luís. Segundo as projeções, esses números devem levar a mil pessoas contaminadas no Maranhão.

No entanto, sem medidas sanitárias e de isolamento, os cálculos indicam que o Maranhão poderia chegar ao número terrível de 100 mil casos. “Não vamos minimizar o coronavírus, porque é muito grave. Ele se espalha muito rapidamente”, alertou.

“Se fraquejarmos agora, e se adotássemos caminhos errados como outros países, o preço é muito caro e irreparável. Há países que estão assistindo a cidadãos morrendo nas calçadas, porque não conseguem entrar em um hospital, e não queremos isso no Brasil e no Maranhão.”

O governador afirmou que não há no Maranhão a proibição de circulação de pessoas, mas limitação e restrição. Ele renovou decreto mantendo a suspensão das aulas e transporte interestadual até 26 de abril. Em relação ao comércio, as atividades permanecerão suspensas, a princípio, até 12 de abril, domingo de Páscoa.

No entanto, o governo está fortalecendo as sanções, punições e multas para os comerciantes que desrespeitarem a determinação, e, dependendo do caso, pode ser necessária a interdição de estabelecimentos. 

Com a falta de máscaras, Dino orientou a população a fazer suas próprias máscaras de proteção e assegurou que o governo está trabalhando para viabilizar a fabricação e distribuição gratuita. Ressalvou que máscaras não profissionais não protegem 100%, “mas oferecem proteção adicional”.

Ele afirmou que seu estado foi prejudicado pela compra maciça de equipamentos da China pelos Estados Unidos, que enviou 23 aviões de grande porte para transportar o material. “Os Estados Unidos bloquearam uma compra feita por este governo”, disse. “Os Estados Unidos e outros países estão no mercado fazendo processo de bloqueio de compras, provocando a escassez desses produtos, inclusive respiradores.”

De acordo com Dino, no âmbito federal, não houve preparação para empresas fabricarem respiradores para suprir as necessidades do país. “Compras de centenas de equipamentos estão com dificuldades por causa das manobras internacionais.” Ele informou também que o estado, hoje, dispõe de respiradores, mas ressaltou que deve haver transparência para “para que fique clara a necessidade da previsão”.

Dino pediu para a sociedade confiar na ciência. “Acima de tudo, acreditem nas autoridades sanitárias, na ciência e nos profissionais de saúde, porque todos estão dizendo a mesma coisa. É um momento da prevenção, prevenir para termos a capacidade de atender as pessoas que vão ficar doentes.”