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Flexibilização da quarentena em São Paulo não inclui escolas e vai ser regionalizada

Início da volta à normalidade, previsto para 11 de maio, vai depender da evolução de casos de covid-19 pelo estado

Rovena Rosa/EBC
Flexibilização da quarentena em São Paulo vai depender de diversos fatores, que só serão detalhados em 8 de maio

São Paulo – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), confirmou hoje (22) que está planejando a flexibilização da quarentena por conta da pandemia de coronavírus, mas os detalhes só serão apresentados em 8 de maio, dois dias antes do encerramento da terceira fase do isolamento social no estado. As diretrizes da medida indicam que o processo será regionalizado, dependente da evolução de casos e de mortes causadas pelo novo coronavírus em cada cidade e não vai incluir a reabertura de escolas e equipamentos públicos de lazer e esporte, no primeiro momento. Doria ressaltou que não se trata do encerramento da quarentena, que poderá até mesmo continuar em algumas regiões ou em todo o estado.

“A abertura será gradual, heterogênea e segura, sempre com suporte à ciência. Até dia 10 de maio, nada muda. E o que vai ser feito a partir do dia 11 vai depender da situação em cada região do estado”, afirmou Doria. Segundo o governo paulista, as regiões vão ser classificadas pelas cores vermelha, amarela ou verde, a depender da situação, considerando número de casos, evolução diária, número de mortes, capacidade de testagem da população e ocupação de leitos de enfermaria e de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Hoje, todas as regiões de São Paulo estão em vermelho ou amarelo.

Como base para as medidas, o governo paulista utilizou as ações de flexibilização da quarentena em outros países afetados pela pandemia. Em Wuhan, na China, primeira região afetada, o processo de abertura teve início 76 dias após o início do isolamento obrigatório. Na Itália, foram 54 dias. Na França, 56. Na Alemanha, que teve evolução mais controlada da doença, foram 41 dias. Em Nova York, 60. São Paulo está há 30 dias em quarentena.

Segundo o governador, 74% das atividades econômicas de São Paulo estão funcionando e não fazem sentido as manifestações ocorridas no final de semana, pedindo o fim da quarentena. “Protestaram como se fossem imunes ao vírus. Sem máscara e com aglomerações, desrespeitando as orientações da Organização Mundial da Saúde. São amigos do vírus e inimigos da vida. Pessoas que agem assim estão sabotando a saúde”, disse Doria, que vem sendo fortemente pressionado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que quer o fim das quarentenas.

Por sua vez, o secretário estadual da Fazenda, Henrique Meirelles, tirou Doria do embate direto com Bolsonaro, mas relatou que o governo federal segue dificultando o combate à pandemia, ao afirmar que o banco paulista de fomento, Desenvolve SP, solicitou R$ 1,5 bilhão ao BNDES para auxiliar a situação econômica das empresas paulistas, mas o pedido foi negado. “As razões (da negativa) não são compreensíveis. Tivemos um aumento na demanda das empresas de 10 vezes. Para o setor privado, o BNDES direciona recursos, para um banco de desenvolvimento não. Esse é o momento de enfrentar a crise, não de fazer política”, afirmou.

Histórico da quarentena

A quarentena teve início em 24 de março, valendo nos 645 municípios paulista. Apesar disso, o índice de adesão ao isolamento social não atingiu o nível ideal apontado pelo governo paulista, em torno de 70%. Segundo Doria, o estado registrou taxa de 57% ontem. Algumas cidades, como São José dos Campos, anunciaram a flexibilização da quarentena por conta própria. “Não é prudente que nenhuma cidade rompa a quarentena. Nós vamos dialogar com todas as cidades. Mas onde o diálogo não funcionar vamos tomar as medidas judiciais cabíveis”, afirmou Doria.

Até ontem (21), São Paulo registrou 1.093 mortes por coronavírus – crescimento de 5% – e 15.385 casos confirmados – crescimento de 6%. Hoje, 1.284 pessoas estão internadas em UTI e 1.341 em enfermarias de hospitais. Em todo o estado, 40% dos leitos de enfermaria e 53% das UTI estão ocupados. Já na grande São Paulo, epicentro da pandemia de coronavírus, a situação é mais grave, com 67% das UTI e 63% dos leitos de enfermaria ocupados.  

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, anunciou que foi zerada a fila de exames para confirmação de casos de coronavírus, mas os resultados ainda vão levar alguns dias para serem incorporados aos registros estaduais e do Ministério da Saúde. A expectativa é que novos exames tenham resultado em até 48 horas.