Alerta

Falta de equipamento de proteção ameaça trabalhadores da saúde

Para diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Brasil repete erros de países em que o coronavírus se alastrou

Rafael Kage/CC
Sindicato reivindica que todos os trabalhadores na saúde tenham os equipamentos de proteção básicos, como viseira, máscara e avental, em quantidade suficiente para evitar a contaminação

São Paulo – Os trabalhadores de saúde que atuam no atendimento a vítimas da covid-19 – obrigados a redobrar os cuidados para não serem contaminados pelo novo coronavírus – estão enfrentando também a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), conforme apontam representantes do setor ouvidos pela TVT. “Já são diversas notificações, tanto nos serviços públicosn quanto dos privados”, alerta Gerson Salvador, médico infectologista da Universidade de São Paulo (USP).

Erivalder Guimarães, diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), afirma à reportagem que o Brasil repete erros de outros países, onde a pandemia se alastrou. “Se não tiver o equipamento de proteção individual, essas pessoas poderão se infectar com muito mais facilidade. É isso que aconteceu na Itália e em outros países, onde a quantidade de EPIs não era suficiente e a sua qualidade deixava a desejar.”

Além de lutar contra o novo coronavírus, trabalhadores da saúde enfrentam também intensa pressão psicológica, o que também pode afetar a saúde mental dos profissionais. “Há uma carga muito grande depositada nos profissionais de saúde, com uma necessidade de dar respostas, longe das suas famílias para compor essa linha de frente. Então tem muita gente doente também por conta de ansiedade, estresse e depressão”, alerta Gerson.

Adoecimento

O Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep) confirma que a escassez de equipamento de proteção individual para todos na rede pública. “Na semana retrasada, divulgamos um levantamento de uma falta de equipamento de proteção individual alta. Agora, começamos a receber relatos de pessoas que trabalham na área de enfermagem e estão adoecendo”, afirma Sérgio Antiqueira, presidente do Sindsep.

Desde fevereiro, em todo o estado de São Paulo, cerca de 600 trabalhadores da saúde foram afastados de suas funções, por suspeita ou confirmação de infecção. Na capital paulista, já foram registrados quatro óbitos de profissionais do setor, por causa da doença segundo o Sindsep.

O sindicato reivindica que todos os trabalhadores da saúde tenham os EPIs básicos contra o coronavírus, como viseira, máscara e avental, em quantidade suficiente para evitar a contaminação. Já os profissionais que atuam em alas onde é realizado o atendimento dos casos confirmados, seja enfermaria ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI), precisam também das chamadas máscaras N95, de uso cirúrgico, gorros e macacão impermeável. 

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT


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