Dupla jornada

Coronavírus: em Dia de Segurança do Trabalho, profissionais da saúde pedem proteção

Conselho Federal de Enfermagem aponta ao menos 4.602 trabalhadores já afastados por suspeita de covid-19. EPIs chegam em pouca quantidade e baixa qualidade

Secom
Pressão sobre os profissionais de saúde em meio à pandemia, com falta de equipamentos e treinamento, leva ao sofrimento psíquico

São Paulo – Trabalhadores da saúde denunciam a insuficiência das medidas tomadas pelo poder público para conter o contágio pelo covid-19 , entre a população em geral e entre a própria categoria, como denunciam profissionais do setor, ouvidos pela Rádio Brasil Atual para falar do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, lembrado hoje (28). Desde a chegada do novo coronavírus ao país, pessoal de enfermagem e demais integrantes das equipes de atendimento à pandemia sofrem com a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), alojamentos e o estresse dos plantões prolongados.

A presidenta do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo, Solange Caetano, relata que, antes, depois de pressão das entidades de representação, os profissionais do estado passaram a receber alguns dos itens de segurança necessários para a proteção, mas alerta que os materiais que chegam são em pouca quantidade e de baixa qualidade.

Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), pelo menos 4.602 profissionais de enfermagem já precisaram ser afastados por suspeita de covid-19. Um relatório divulgado, nesta segunda-feira (27), mostra que 5.780 instituições de saúde indicam alto índice de contágio na categoria, associado à escassez de EPIs.

“As instituições são precárias, principalmente as públicas. Ontem, recebemos a denúncia de que profissionais estão levando a máscara n-95 para casa, porque ela está sendo reutilizada e não tem como deixar no hospital. Isso leva o risco de contaminação para os seus familiares”, afirmou Solange, aos jornalistas Marilú Cabañas e Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual.

Sobrecarga

O déficit na saúde também passa pelo insuficiente número de profissionais. O sindicato estima que faltam 14 mil trabalhadores em serviços de saúde para ajudar no atendimento. “O número de casos dobrou nesse período. Nós vivemos um momento de muito stress e ansiedade, porque estamos na linha de frente e no cuidado desses pacientes, sem os equipamentos ideais. Isso traz medo para os profissionais”, afirma Solange.

Com o número de mortos em 24 horas voltando a superar a casa dos 300, como registrado na segunda-feira (17) os casos fatais do novo coronavírus no Brasil chegaram a 4.543. De acordo com balanço do Ministério da Saúde, foram 338 mortos no período, enquanto o total de casos teve incremento de 4.613, totalizando 66.501 infectados desde o início do surto.

A presidenta do sindicato conta que os profissionais estão se fazendo plantões que ultrapassam as 12 horas previstas pela convenção da categoria, como forma de proteger a saúde do trabalhador. A sobrecarga de trabalho é um dos principais fatores pela incidência de adoecimento mental, relata a dirigente. ! Muitos trabalhadores dormem nos alojamentos precários para não voltarem para casa.”

Solange defende que o estado de São Paulo deveria solicitar quartos de hotéis para acolher os profissionais da saúde. “Em alguns estados, estão ofertando hotéis para os servidores. Aqui em São Paulo reivindicamos ao governador (João Doria) para a rede hoteleira disponibilizar os quartos aos profissionais, mas não houve nenhum retorno. Seria uma medida que reduziria o stress profissional e a propagação da doença”, criticou.