Dias difíceis de coronavírus

Brasil tem 553 mortos e 12 mil doentes, e explosão de casos exigirá maior isolamento social

Em entrevista sem a presença do ministro Mandetta, em atrito com Bolsonaro, Ministério da Saúde defende maior isolamento social

UME
Pandemia foi "prevista" por cientistas. Destruição da natureza é a maior razão para desastres sanitários

São Paulo – O Brasil tem 553 mortes e 12.056 doentes pela covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, conforme balanço divulgado nesta segunda-feira (6). A pandemia está no início de uma curva de crescimento no país. Até o fim do mês de abril, são esperados “dias difíceis”, nas palavras do Ministério da Saúde e de especialistas em epidemiologia – que exige desde já esforço maior por isolamento.

A coletiva para apresentação do balanço dos casos, que acontece diariamente (exceto aos domingos), foi atípica. O sempre presente ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não compareceu. Mandetta vive um conflito com o governo Bolsonaro. Enquanto o ministro segue orientações de médicos e de todas organizações de saúde do mundo, Bolsonaro ridiculariza a pandemia e convoca as pessoas para as ruas.

Ainda assim, com Bolsonaro atacando a ciência e pedindo o fim do isolamento social, o ministério segue em visão oposta. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, reafirmou a importância do maior isolamento social, que disse ser fundamental. “Não tenho dúvidas”, disse.

“O distanciamento é essencial para que o sistema de saúde se reorganize”, disse o secretário, ao lembrar de países desenvolvidos como Estados Unidos, Espanha e Itália, que viram seus sistemas de saúde entrarem em colapso por falta de leitos e equipamentos.

“O distanciamento não é para impedir a transmissão. O paciente é o sistema de saúde e não a pessoa. Fazer uma transição direta sem equipamentos de proteção individual, respiradores, testes laboratoriais e leitos suficientes, é temerário”, completou.

Números

A letalidade do vírus no Brasil está em 4,6% dos casos confirmados. O Brasil é o 15o país em número de infectados e 13o em mortes. O aumento de casos fatais foi de 14% nas últimas 24h. Casos mais graves seguem entre os grupos de risco: pessoas acima de 60 anos e portadores de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, asma e imunodepressões.

O local mais afetado segue São Paulo. Maior epicentro da crise no país, o estado mais populoso da Federação concentra 4.866 casos e 304 mortos. De acordo com o governo do Estado, 1,3 mortes devem ocorrer até o dia 13 deste mês e 111 mil mortes são esperadas para os próximos seis meses. Sem o isolamento social e a quarentena, 277 mil morreriam, de acordo com o Instituto Butantan.

O Sudeste tem 58,4% dos casos do novo coronavírus, com 7.046 doentes e 390 mortos. Em seguida vem o Sul, com 1.318 casos e 17 mortos; o Centro-Oeste, com 734 casos e 17 mortos; o Nordeste, com 2.167 casos e 92 mortos; e o Norte, com 791 casos e 26 mortos. Apenas Acre e Tocantins não contabilizam mortos.


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