São Paulo

Coronavírus: estudantes denunciam abandono na moradia da USP

Alunos que moram no Crusp reivindicam reformas, reestruturação de cozinhas, oferta de internet e dispensadores de álcool gel nas unidades para enfrentar coronavírus

USP Imagens
Prédios da moradia de estudantes da USP estão sem condições para que os alunos cumpram a quarentena do coronavírus

São Paulo – Estudantes que moram no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp), e permanecem no local por conta da epidemia de coronavírus, denunciam que a reitoria tem ignorado a situação precária em que os alunos vivem. As cozinhas estão totalmente desestruturadas, não há dispensadores de álcool nos blocos, nem acesso à internet, além da falta de manutenção estrutural nos prédios, com infiltrações, infestação por animais e falta de luz em alguns locais.

“Exigimos, mais uma vez, ações imediatas, uma vez que a Universidade de São Paulo e o Estado têm por obrigação cuidar de seus estudantes enquanto abrigam os mesmos em apartamentos na moradia estudantil”, dizem os moradores do Crusp, em carta à reitoria.

O Crusp conta com cozinhas coletivas, em geral uma por andar. Mas as unidades estão sem condições de uso. Não há gás para cozinhar e os fogões estão destruídos, sem peças como fogareiros. As pias estão sem os canos de saída de água. Muitos locais estão sem luz por falta de lâmpadas. Os alunos têm se alimentado no restaurante universitário – conhecido como bandejão. Mas isso expõe os estudantes ao risco de contaminação, já que é preciso deixar as residências. Além disso, o bandejão não funciona nos finais de semana e feriados. Existe ainda o risco de fechamento total do serviço e da atuação da segurança, por conta da decretação de quarentena no estado.

Os estudantes dizem que foram protocolados três pedidos no Serviço de Assistência Social da universidade e nenhum foi atendido. Alguns prazos foram apresentados para reestruturação das cozinhas, mas nenhum foi atendido.

“É inadmissível que estudantes dedicados a produzir ciência, honrar com seus compromissos acadêmicos e defender o legado de excelência da USP, tenham seus direitos humanos violados, agudizando a condição de vulnerabilidade, longe de suas famílias e largados à própria sorte num momento em que precisamos de apoio”, afirmam os alunos.

Entre os pedidos, estão o conserto imediato dos equipamentos das cozinhas; a regularização do serviço de fornecimento de gás; garantia de manutenção dos serviços de alimentação e segurança na universidade; oferta de internet para que os estudantes consigam manter as atividades acadêmicas online; distribuição de material de limpeza para a prevenção da proliferação do vírus nas moradias; e divulgação de informações sobre atendimento médico aos alunos em caso de suspeita de contaminação pelo coronavírus.

Os moradores do Crusp ressaltam que permaneceram no local por segurança, depois que as aulas foram suspensas após a confirmação de três casos de infecção por coronavírus na USP, no início do mês. “Nós ficamos aqui, principalmente, para não colocar em risco nossos familiares, já que houve confirmação de casos na universidade, de pessoas que estavam frequentando as aulas, que tiveram contato com muitas pessoas”, explicou a estudante de Pedagogia Carina Matheus.