E vai piorar

Coronavírus chega a 4.579 infectados e já matou 159 no Brasil

Letalidade da doença está em 3,5% dos casos. São Paulo segue como epicentro da pandemia, com 1.517 doentes e 113 mortos notificados

PM-PA
De acordo com o Ministério da Saúde, para caso contabilizado, ao menos dez não chegaram às autoridades. A taxa de mortes e de casos tende a entrar em forte ascensão

São Paulo – Os números da pandemia de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, no Brasil seguem em crescimento. De acordo com balanço divulgado hoje (30), são 4.579 casos confirmados e 159 mortes. São 323 casos e 23 mortes a mais do que ontem. A letalidade está em 3,5% dos registros, acima da média global de 2%.

O Sudeste segue como região com maior número de infectados, sendo São Paulo o epicentro do país. São 2.507 casos, ou 55% do número total do país. São Paulo concentra 1.517 doentes e 113 mortes; o Rio de Janeiro, 657, com 18 casos fatais; o Ceará tem 372 casos e cinco mortos; o Distrito Federal, 312 doentes e um morto; Minas Gerais, 261 casos e uma morte; e Santa Catarina tem 197 infectados registrados e também uma morte.

De acordo com o Ministério da Saúde, para cada caso contabilizado existem pelo menos 10 não notificados. A taxa de mortes e de casos tende a entrar em forte ascensão, de acordo com órgãos de saúde. Por essa razão, a atual semana e a próxima são decisivas e o isolamento social será de extrema importância. Isso porque os sintomas demoram cerca de cinco dias para se manifestar. De acordo com previsões primárias do ministério, no final de abril o sistema de saúde pode entrar em colapso.

Quarentenas

Alguns países já passaram pelo momento atual da curva epidemiológica em que se encontra o Brasil. Países como Alemanha e Coreia do Sul implementaram quarentenas radicais e promoveram o fechamento de cidades. Isso levou os países a apresentar baixa letalidade e controle da disseminação do coronavírus. Outros países fizeram o oposto.

A Espanha, perto do pico de contágio e já com a Itália demonstrando esgotamento do sistema de saúde, permitiu grandes manifestações no início do mês. Hoje, o país ibérico vive o pior cenário do mundo, atrás apenas da própria Itália. São mais de 85 mil casos e quase 8 mil mortes; números que tendem a subir. Já a Itália vive o caos: mais de 100 mil casos e quase 12 mil mortos.

“Não ouçam o presidente”

O governo brasileiro, do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segue com atritos internos e com atitudes em total desacordo com o mundo. Mesmo com o isolamento social decretado em diversos estados, medida apoiada pelo próprio Ministério da Saúde, o presidente não segue as boas práticas.

Repetidamente, Bolsonaro ignora alertas das autoridades de saúde. No fim de semana, chegou a promover acúmulo de pessoas na capital federal em uma “visita” a comerciantes para defender o fim das quarentenas. Não foi a primeira atitude de desprezo pela gravidade da pandemia. Bolsonaro repete tal estratégia e promove ataques incansáveis contra governadores que tentam amenizar os impactos do novo coronavírus e as mortes.

Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) recomendou hoje (30) durante entrevista que os paulistas prestem atenção em recomendações de autoridades médicas de infectologia. “E não em informações que são colocadas nas redes sociais. Lamento e não gostaria de voltar a esse tema, mas não sigam as orientações do presidente da República do Brasil. Ele não orienta corretamente a população e, lamentavelmente, não lidera o Brasil.”