alerta

Coronavírus: especialistas estimam que Grande São Paulo pode chegar a 45 mil casos

Estimativas indicam que surto de coronavírus deve arrefecer em quatro meses. Situação é mais grave para idosos e doentes crônicos

reprodução/Youtube
Fábio Jatene afirma que o número de casos deve chegar a 45 mil somente na grande São Paulo

São Paulo – Com 73 casos confirmados de coronavírus no Brasil, especialistas esperam o risco de uma explosão de casos ocorrendo nas próximas semanas. Áudio do professor Fabio Jatene, vice-presidente do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), divulgado nas redes sociais, menciona uma reunião ocorrida ontem (11), em que foi revelada a estimativa de que 45 mil pessoas sejam infectadas pelo coronavírus apenas na região metropolitana de São Paulo.

O risco é maior para os idosos e pessoas com doenças crônicas. Os médicos reunidos avaliam que o surto deve se encerrar em quatro meses e no próximo ano o vírus deve se tornar um tipo normal.

No áudio, se relata que estavam presentes à reunião os médicos David Uip, chefe do Centro de Contingência para o coronavírus do governo de São Paulo, Ésper Cavalheiro, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e Marcelo Amato, neurocirurgião e supervisor da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Respiratória do Hospital das Clínicas. Ouça:

“O David diz que a partir de hoje os casos vão explodir no Brasil. Porque já passou a ter a transmissão que eles chamam de comunitária. Não é quem foi viajar. Agora quem não foi viajar já está passando para o outro. Ele tinha razão, porque ontem tinha 35, hoje já tem setenta e a partir de amanhã as coisas vão piorar mais ainda. Eles disseram para ter muito cuidado com pessoas de idade. Pessoas muito idosas não devem se expor de jeito nenhum, reduzir ao máximo a possibilidade de contágio. Porque nos velhinhos a mortalidade tem chegado a 18% e nos jovens a 0,2%”, relata Jatene.

O Brasil chegou hoje a 73 casos confirmados, pelo Ministério da Saúde, de infecção por coronavírus. Metade dos casos estão concentrados em São Paulo, mas também há registros no Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Espírito Santo. Segundo o áudio, 11 mil casos podem precisar de internação em São Paulo, número muito superior ao de leitos disponíveis. Uma das principais recomendações dos médicos é não viajar, além de manter rigor nos cuidados de higiene, lavando as mãos com frequência e evitando tocar olhos, nariz e boca com as mãos sujas.

“O HC já destinou a UTI do 11º andar, do Instituto Central, com 75 leitos. Só para coronavírus. Na sequência, são os leitos do Incor que vão ser mobilizados. E está se julgando que vai ser insuficiente, claro. A transmissão é de um caso para dois a três pacientes, às vezes quatro. As imagens de tomografia dos casos da China, dos casos do Brasil, os que estão doentes no Brasil, e é impressionante como é parecido. Começa com tipo vidro fosco, bilateralmente, depois como spots assim de condensação. E diz que o raio X muitas vezes não pega e a tomografia é o exame normal”, diz Jatene.

Um estudo do Instituto Pensi, centro de pesquisa clínica do Hospital Infantil Sabará, aponta que o país poderá chegar a mais de 4.000 casos em 15 dias e cerca de 30 mil casos em 21 dias. O documento aponta que Coreia do Sul e Itália tiveram esse nível de propagação após o registro de 50 casos. Além disso, observando o número de casos graves que demandaram internação na China, e os períodos de internação de 7 a 14 dias, o país deve necessitar aproximadamente 2.100 leitos hospitalares, dos quais cerca de 500 em UTI.

Em outro áudio que circulou pela redes, como contraponto ao de Fabio Jatene, o médico sanitarista Pedro Tourinho, professor da PUC-Campinas, considera que a fala de Jatene é parte de uma discussão em grupo fechado e, descolada do contexto, pode causar desinformação. Segundo Tourinho, as estimativas de Jatene podem não se concretizar, a depender da forma como o coronavírus for enfrentado. Ouça:


O que fazer

• Lavar as mãos com água e sabão ou use álcool gel frequentemente

• Cubra nariz e boca ao espirrar ou tossir

• Evite aglomerações se estiver com sintomas de resfriado

• Mantenha ambientes bem ventilados

• Não compartilhe objetos pessoais ou de trabalho, como computadores

• Uso de máscaras é indicado para pessoas com sintomas


Leia também


Últimas notícias