Quatro mortes confirmadas

Casos confirmados no país crescem 68% em um dia. Entre eles, 17 viajaram com Bolsonaro

Após a confirmação do segundo ministro infectado com o novo coronavírus, governo anuncia programa de ajuda para trabalhadores autônomos

Marcos Corrêa/PR
Ministros Bento Albuquerque e Augusto Heleno, de Minas e Energia e do Gabinete de Segurança Institucional, respectivamente, estão com covid-19

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro confirmou mais um ministro infectado com o novo coronavírus. Bento Albuquerque, da pasta de Minas e Energia, é o 17º integrante da comitiva presidencial que viajou aos Estados Unidos a apresentar a doença e o segundo ministro, ao lado de Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional.

A informação foi um dos destaques de uma coletiva concedida na tarde de hoje (18) pelo presidente, ao lado de parte de seu gabinete ministerial. No início do dia, Bolsonaro enviou um pedido de reconhecimento de calamidade pública para o Congresso.

A medida encontra apoio nos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Teste feito em Alcolumbre confirmou que o senador está infectado pelo coronavírus. A mesa diretora da Casa será comandada por Antonio Anastasia (PSDB-MG).

Caso o Congresso confirme o pedido, a União não será obrigada a cumprir a meta fiscal de 2020, prevista pelo Orçamento, além de dispensar o governo do cumprimento de requisitos da Lei de Responsabilidade Fiscal. A meta do resultado primário de R$ 124 bilhões também fica suspensa.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, confirmar mais duas mortes em São Paulo. São três mortes em decorrência de Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, todas na capital paulista.

O Brasil começou o dia com 394 pessoas contaminadas e quase 9 mil casos suspeitos aguardando resultado de exames. Não houve, até o momento da entrevista, atualização pelo Ministério da Saúde dos números para esta quarta. Mas o computo com dados fornecidos por 20 estados e o Distrito Federal soma 489 – que representaria um aumentos de 68% em relação do dia anterior.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou outro conjunto de medidas sobre a pandemia de coronavírus. Ficou previsto um programa de ajuda para trabalhadores autônomos de R$ 200 por beneficiário, totalizando R$ 5 bilhões por mês, por três meses. A medida visa a dar o mínimo de proteção para este setor, que tende a ser o mais impactado pela paralisia econômica.

“Foi a melhor resposta técnica para evitar o contingenciamento, o que seria dramático”, disse Guedes, prevendo um contingenciamento de cerca de R$ 37 bilhões. O governo ainda se recusa a ouvir os clamores da sociedade pela revogação da Emenda Constitucional 95, que impõe teto de gastos públicos.

Questão de Saúde

Mandetta reafirmou que o número de casos deve crescer em espiral nos próximos dias. “Teremos dias duros, semanas cansativas, aonde esse assunto vai nos trazer extremo estresse (…) Vamos passar. Teremos dias difíceis. O Brasil já passou por momentos mais dramáticos, muito mais.”

Sobre os casos de Covid-19 em membros do ministério, Mandetta afirmou que são parte de um grupo de risco. “Nós vamos nos testar caso tenhamos qualquer sinal ou sintoma. Podemos ter contato próximo. Tivemos contato próximo com um ministro de nossa convivência intensa. Exame negativo não é certificado. É uma foto do momento. Posso testar negativo hoje e daqui 24h, 48h.”


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