Despreparo

Ausência de testes de coronavírus é derrota para o país, diz infectologista

“Precisamos investir, pois falar sobre diagnóstico clínico epidemiológico e não dar direito ao teste é uma situação infeliz” aponta Evaldo Stanislau

Carolina Antunes/PR
Jair Bolsonaro e ministros do governo dera um exemplo à população de como não usar a máscara de proteção

São Paulo – O Ministério da Saúde admite a falta de testes para confirmação do coronavírus no Brasil, e laboratórios de análise diagnóstica estão racionando os exames. O infectologista Evaldo Stanislau Araújo, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), diz que as ações do governo Bolsonaro nessa área foram direcionadas de maneira errada.

“Em outros países foi provado que o essencial é testar a pessoa. Como você explica ao paciente que ele está com gripe ou não? Eles têm o direito de saber o que têm, faltar teste epidemiológico é uma derrota. Tem técnicos neste governo que vêm atuando bem, mas se equivocaram ao não montar uma política de ampliação dos testes”, afirmou Stanislau, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entregou 5,5 mil testes e promete 40 mil extras em abril, além dos outros 30 mil já disponíveis no início deste mês. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou oito novos testes de coronavírus nesta quarta-feira (18). Os produtos são para uso profissional durante a triagem e diagnóstico da doença.

O infectologista chama a atenção para a falta de alternativas apresentadas pelo governo. Ele lembra que o Brasil já saiu de situações piores, inovando e criando melhores cenários para combater crises. “A gente tem uma rede de laboratórios, de equipamentos para biologia molecular. Precisamos investir, pois falar sobre diagnóstico clínico epidemiológico e não dar direito ao teste é uma situação infeliz”, acrescentou.

Máscara de Bolsonaro

Durante entrevista coletiva concedida nesta quarta, o presidente Jair Bolsonaro e ministros do governo deram um exemplo à população de como não usar a máscara de proteção.

O infectologista lembra que o uso da máscara só deve ser feito se a pessoa estiver tossindo ou espirrando e, se estiver saudável, somente será usada se estiver cuidando de uma pessoa com suspeita de coronavírus.

“Eles dão um péssimo exemplo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que as pessoas sem sintomas não devem usar máscara em ambientes públicos. A máscara é para quem é sintomático ou para trabalhadores da saúde. Aquilo é uma situação que beira o ridículo, um mau exemplo de quem deveria dar o bom”, criticou.

China

A China anunciou que, nas últimas 24 horas, não registrou nenhum caso de transmissão local do novo coronavírus pela primeira vez desde o início da epidemia de covid-19 no país, há três meses.

Desde o início da epidemia no país, foram notificados 80.928 casos do novo coronavírus e 3.245 mortes. O número só baixou após a realização do isolamento social e a imposição da quarentena forçada.

“É uma boa notícia para a China, mas, apesar de zerar os casos locais, agora lidam com casos importados, mostrando que grande parte da população chinesa ainda é suscetível à infecção. Além das medidas drásticas que a China tomou, se a gente não tiver uma vacina não resolveremos a situação”, finalizou.


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