Com orgulho

Drauzio Varella e o programa brasileiro para aids: ‘Precisa ser mantido de qualquer maneira’

Médico responde a declarações de Bolsonaro e afirma que distribuição gratuita de medicamentos impediu o sofrimento de milhões

reprodução-CC0 Commons
Em vídeo, o médico Drauzio Varella responde a insinuação de Bolsonaro de abandonar os programas de prevenção e tratamento das DST/Aids: "situação pode sair do controle"

São Paulo – O oncologista, pesquisador e escritor Drauzio Varella defende a manutenção dos programas públicos de prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e de assistência médica aos soropositivos, em contraponto ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que nesta quarta-feira (5) afirmou que pessoas com aids são “despesas pra todo mundo”. Em vídeo postado em seu canal do YouTube, de pouco mais de quatro minutos, Drauzio Varella informa que tem sido questionado por jornalistas sobre o assunto. Ele conta que foi “testemunha ocular dessa história”, desde que os primeiros casos de aids foram detectados no país, nos anos 1980. “Em 1995 que começaram a surgir os primeiros medicamentos”, lembra, contando em seguida que o chamado “coquetel” passou a ser distribuído gratuitamente pelo SUS a pessoas contaminadas. “Muita gente foi contra… mas nós embarcamos nessa política.”

Drauzio comprova a eficácia do programa público comparando a contaminação da doença no Brasil com o que ocorreu desde então na África do Sul, um dos países do mundo que mais registram casos de infecção pelo HIV. “A prevalência da doença lá é de 10% da população do país de 15 anos para cima. Se isso ocorresse por aqui, nós teríamos 17 ou 18 milhões de brasileiros infectados. Imagina a tragédia.”

Sem citar em nenhum momento o nome do presidente da República nem fazer referências ao governo, Drauzio Varella afirma que a estratégia brasileira foi a responsável para que hoje o país tenha cerca de 800 mil soropositivos com sofrimento reduzido – deles, dos familiares e amigos – e razoável controle de contaminação.

“Esses programas têm de ser mantidos. Se não forem, a situação escapa do controle completamente”, alerta. “O que nós temos de fazer é continuar a distribuição gratuita de medicamentos e a distribuição gratuita de preservativos.”

Por fim, o médico lembra que o programa brasileiro de combate às DST/Aids serviu de exemplo para boa parte do mundo e que muitos países e organismos internacionais passaram também a oferecer o coquetel de remédios sem custos. “Esses programas são um orgulho para o país e têm de ser mantidos de qualquer maneira”, reforçou.