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Guarulhos capacita servidores da Saúde para melhor atendimento à população negra

Doenças como diabetes e hipertensão, mais incidente nos negros, devem ganhar mais atenção

Arquivo/Agência Brasil
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Para o Instituto Ama, a coleta da informação da cor do paciente é o primeiro passo para avanços

São Paulo – A prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo, está promovendo capacitação para 2.500 servidores públicos da rede de saúde para atendimento à população negra. A ação integra a política nacional de saúde e abrange os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em entrevista à repórter Sandra Paulino, da Rádio Brasil Atual, a presidenta do Instituto Ama, Maria Lúcia Silva, explica por que é necessária essa conscientização. “Quando pensamos em saúde pública, devemos pensar quais as diferenças de acesso dos diferentes grupos da sociedade brasileira. Existe racismo no Brasil, e a política nacional de saúde integral da população negra reconhece que a existência do racismo produz desigualdade no acesso à saúde. Há doenças que têm maior reincidência na população negra, portanto, é necessário que o estado, ao se apropriar desses indicadores, também desenvolva estratégias para o enfrentamento.”

De acordo com Maria Lúcia, os números refletem uma realidade pouco conhecida. “Em nível nacional, mulheres negras morrem três vezes mais do que mulheres brancas, no período de parto. Isso acontece por uma displicência no atendimento. Portanto, o serviço de saúde tem de estar atento a essa informação para que as mulheres negras não morram de causas inevitáveis. Isso é o que chamamos de racismo institucional, já que os números estão divulgados, e o Estado não implementa uma ação mais eficaz.”

A política nacional de saúde para a população negra reforça a importância da coleta de dados para se elaborar a estratégia de atendimento. Uma das atividades mais simples é a declaração feita pelo paciente ao chegar a uma unidade de saúde. Na ficha, ele define sua etnia. Com esse tipo de informação, novas políticas públicas podem ser organizadas.

“A coleta da informação da cor da pessoa é importante, pois as pessoas precisam definir o que são, se não, o funcionário olha para a cara da pessoa e ele mesmo define”, explica a presidenta da entidade.

A sensibilização é necessária para quebrar preconceitos, e apesar dos indicadores, nem todos os servidores concordam. A assistente social da prefeitura de Guarulhos, Maria de Jesus de Assis Ribeiro, tem acompanhado os debates com os servidores. “Por um lado, os servidores que estão fazendo o curso e percebem a necessidade de colocar esse debate na saúde, e por outro lado, pessoas que ainda não percebem essa importância.”

Maria Lúcia diz que dar atenção não significa privilegiar. “Há um conceito enraizado na saúde que todos são atendidos de forma igual. Mas eles não estão atendendo um dos princípios da equidade, que diz que as pessoas devem ser atendidas de acordo com a sua necessidade. E os servidores devem rever suas crenças, porque é isso que deve interferir no atendimento.”

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