aedes aegypti

Dilma: um mosquito não pode derrotar 204 milhões de pessoas

Segundo Dilma, o governo vai usar “todos os recursos” para garantir uma vacina contra o zika vírus

Roberto Stuckert Filho/PR
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Dilma e pelo menos 25 ministros viajam pelo país para visitar escolas e conscientizar combate ao Aedes

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (19) que o mosquito Aedes aegypti não pode derrotar o país. “Um mosquito não pode derrotar 204 milhões de pessoas. Somos muito mais fortes que esse mosquito. Aliás, serve de exemplo, de símbolo para nós. Nós, hoje, enfrentamos dificuldades em nosso país. Nós, juntos, vamos superar essas dificuldades. Este país vai crescer, gerar empregos, vai continuar fazendo programas como este, o Minha Casa, Minha Vida”, afirmou, ao entregar unidades habitacionais em Petrolina, Pernambuco.

Ela contou que ainda hoje vai à cidade de Juazeiro, na Bahia, dar uma aula em uma escola no dia de mobilização da educação contra o mosquito. Além de Dilma, pelo menos 25 ministros viajam pelo país para visitar escolas e conscientizar e mobilizar os estudantes para o combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da febre chikungunya e do vírus zika.

“Os ministros vão a uma escola no país explicar uma das questões mais graves que estamos vivendo que é a relação entre o velho conhecido nosso, que é o mosquito da dengue, e o zika, que é um novo vírus que, aqui em Pernambuco é onde mais se desenvolveu. O vírus está sendo o causador da microcefalia provocando grave lesão neurológica nas crianças”, acrescentou a presidenta.

Segundo Dilma, o governo vai usar “todos os recursos” para garantir uma vacina contra o vírus, mas, enquanto não é desenvolvida a vacina, é preciso não deixar o mosquito nascer. “A mosquita põe ovos em água parada, limpa ou suja. Tem água parada sobretudo na casa das pessoas. De cada três lugares onde o mosquito se cria, dois estão nas nossas casas. Quem pica e gosta de se alimentar do sangue humano é a mosquita. Ela é sensível ao cheiro, procura lugares onde tem água parada e é escuro para reproduzir seus ovos.”

A presidenta pediu que a população faça uma vistoria em casa uma vez por semana para buscar focos do inseto. “Peço a vocês 15 minutos, uma vez por semana, que façam uma vistoria em suas casas. Falem com seus parentes e vizinhos. Não podemos deixar o mosquito fazer a festa. Não picando, ele não transmite o vírus. Não transmitindo, as grávidas que carregam em seus ventres o futuro deste país não terão a tristeza que é ter um filho com microcefalia”, concluiu.

Visitas

A campanha de combate ao Aedes aegypti já alcançou 40,9% dos imóveis do país. Agentes comunitários de saúde e militares das Forças Armadas já realizaram vistorias para exterminar os focos do mosquito transmissor da dengue, da febre chikungunya e do vírus zika em 27,4 milhões de domicílios e prédios públicos, comerciais e industriais.

De acordo com balanço da Sala Nacional de Coordenação e Controle de Enfrentamento à Microcefalia, divulgado nesta sexta-feira, o número representa um aumento de 15% em relação ao balanço anterior, divulgado na semana passada, quando 23,8 milhões de visitas tinham sido feitas.

Segundo os dados divulgados hoje, os mutirões já ocorreram em 80% dos municípios brasileiros. Foram 3,5 milhões de visitas na última semana, o que, para o coordenador da sala nacional de controle do Ministério da Saúde, Marcos Quito contribui para a conscientização da população.

“A cada semana, o engajamento de agentes comunitários de saúde, de controle de endemias e de militares reflete no aumento dos registros de imóveis visitados, por estado. Isso significa uma maior conscientização da população sobre as ações de prevenção às infecções causadas pelo Aedes e também a eliminação de focos do mosquito, no momento da vistoria”, disse Quito.

Durante as visitas, os agentes identificaram 984,3 mil imóveis com focos do mosquito, o que representa 3,77% do total visitado. A meta é reduzir esse índice de infestação para menos de 1%. A entrada dos agentes foi recusada em 91,6 mil imóveis e 6,1 milhões de domicílios estavam fechados.

O objetivo da campanha criada pelo governo federal é visitar todas as casas do país para eliminar os criadouros. Desde dezembro, mais de 300 mil agentes de combate às endemias, agentes comunitários de saúde e militares reforçam o combate ao Aedes aegypti nas residências.

Caso haja recusa, o governo federal autorizou a entrada forçada dos agentes em imóveis públicos ou particulares que estejam abandonados ou que não tenha ninguém para permitir o acesso ao local. Para ficar comprovada a ausência de quem autorize a vistoria, é necessário que o agente realize duas notificações prévias, em dias e horários alternados e marcados, em um intervalo de dez dias.