Saindo do papel

Primeiro hospital de Haddad ficará a cargo do Albert Einstein

Santa Marina, no Jabaquara, terá 260 leitos e começará a funcionar este semestre. Recursos serão garantidos por Ministério da Saúde e isenções fiscais do SUS, sem verbas da prefeitura

Cesar Ogata/SECOM
Hospital

Na gestão de Gilberto Kassab 4.049 leitos hospitalares foram fechados na cidade

São Paulo – O primeiro dos três hospitais municipais de São Paulo, parte do plano de metas do governo de Fernando Haddad (PT), será gerenciado pela Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. A entidade será responsável pela manutenção dos 260 leitos do Hospital Santa Marina, na zona sul da cidade, e pelos serviços de apoio técnico e administração. A expectativa da prefeitura é que a unidade comece a funcionar até julho de 2014.

O Hospital Albert Einstein foi a única entidade a manifestar interesse pela gestão do Santa Marina em uma chamada pública da secretaria. Segundo o órgão, o “Einstein contempla as exigências em relação à gestão”.

Entre 2010 e 2011, na gestão de Gilberto Kassab (PSD), 4.049 leitos hospitalares foram fechados em São Paulo, passando de 34.715 para 30.666, segundo levantamento da Rede Nossa São Paulo. Com a alteração, a proporção de leitos públicos na cidade por mil habitantes caiu de 3,08 para 2,71. Na zona sul, onde será instalado o Santa Marina, a taxa chega a 0,4 leito por mil habitantes, segundo a secretaria.

Para o custeio das atividades está prevista a aplicação anual de R$ 134 milhões, dos quais R$ 18 milhões serão do repasse do Ministério da Saúde ao município e R$ 116 milhões, do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira, um benefício fiscal que a entidade recebe e que deve ter como contrapartida o atendimento público de saúde.

O Einstein investirá R$ 24 milhões na reforma do hospital, que inclui adequações elétricas, hidráulicas e atualização do parque tecnológico, com tecnologia da informação, equipamentos de imagem, laboratório, cozinha, lavanderia, centro cirúrgico e central de material esterilizado. As obras deverão ser concluídas em até 120 dias a partir da assinatura do contrato.

Como contrapartida, o Einstein ficará com a administração dos serviços de saúde e com a gestão das instalações do Hospital Santa Marina, que deverá atender pacientes de alta e média complexidade. A edição do Diário Oficial do Município de 16 de janeiro ressalta que “não haverá, em qualquer hipótese, repasse de recursos financeiros por parte da Administração Municipal”.

Na última terça-feira (4) foi formada uma comissão técnica na Secretaria de Saúde, sob coordenação do secretário-adjunto, Paulo de Tarso, para acompanhar o plano de trabalho e propor possíveis alterações necessárias no projeto. O hospital contará com 170 leitos de internação geral, 60 leitos de internação especializada, 30 de UTI, cinco salas de cirurgia, e área para diagnósticos e tratamentos, com locais especializados em hemodinâmica, endoscopia, ecocardiografia, tomografia, raio-X e ultrassonografia, além da área administrativa.

O hospital, localizado na Avenida Santa Catarina, 2785, Vila Mascote, esteve fechado por quatro anos e foi vendido para a prefeitura pela Assistência Médica Internacional (Amil) por R$ 60 milhões. A entrega das chaves ocorreu em setembro do ano passado. Na ocasião, seria definido se a unidade ficaria a cargo de uma organização social (OS) ou de um grande hospital que recebe incentivo fiscal, entre eles os hospitais do Coração, Samaritano, Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês e o próprio Albert Einstein.

Na ocasião, o secretário de Saúde, José de Filippi Júnior, declarou que a secretaria municipal sozinha não vai conseguir colocar esse hospital para funcionar. “Vamos solicitar serviços de terceiros e de empresas especializadas.”

“O faturamento através das regras do SUS financia cerca de 30% do funcionamento do hospital. Vamos buscar 70%, que podem ser por convênio com hospitais de excelência que temos em São Paulo e que tem benefício de renúncia fiscal. Parte disso deve voltar como prestação de serviços no SUS. Volta, mas de forma espaça e dispersa e nós queremos concentrar nesse hospital”, disse Filippi.