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Número 31, Janeiro 2009

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Nas chamas da Chapada

por Thais Castilho publicado , última modificação 23/01/2018 11h27
Eduardo Zappia
Chapada

O fogo que queimou grandes extensões do Parque Nacional da Chapada Diamantina (BA) no final de 2008 é recorrente. “Nos oito anos que atuo como brigadista houve perdas até maiores”, revela Augusto Maximiliano, argentino e morador há 12 anos em Lençóis, na Chapada. “O longo período de estiagem e temperaturas altas retirou a umidade do ar. O fogo que parecia ter sido apagado durante a noite reincidia de manhã. Alguns focos atingiam 50 quilômetros rapidamente.” Guia turístico e proprietário de uma agência que opera roteiros dentro e no entorno do Parque, Augusto nem imaginava que um dia se tornaria empresário quando visitou a região pela primeira vez, muito menos integrante da Brigada de Resgates Ambientais de Lençóis. Ele diz que só mesmo com o coração para enfrentar os perigos de um incêndio sem ter sequer equipamentos adequados.

“Muitas vezes a gente entra no fogo com roupas nossas e as mesmas botas que usamos para trabalhar como guias. A gente vai onde precisa e como dá, inclusive abastecendo os próprios carros”, desabafa o brigadista. Em 2008 houve 60 focos de incêndio, a maioria entre outubro e novembro. Para Augusto, 99% dos casos são criminosos. “Por lei as pessoas não podem morar, trabalhar ou ter atividades extrativistas em Parques Nacionais. Alguns proprietários, por ressentimento, põem fogo na mata. Uma indenização justa poderia resolver o problema”, acredita. Estima-se que o fogo consumiu quase metade da vegetação do Parque em 2008. Os atrativos turísticos da Chapada cidades, formações rochosas, rios, cachoeiras etc. não foram atingidos e se mantém intactos para visitação.

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