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Número 31, Janeiro 2009

Editorial

Como nunca na história

por Redação publicado , última modificação 10/01/2018 14h49
divulgação
vale

Empresas, como a Vale, lucram durante décadas e num momento ruim logo demitem

Não poderia ter sido mais infeliz o exemplo negativo da mineradora Vale ao anunciar a demissão de 1.300 trabalhadores em todo o mundo tendo como explicação os ajustes diante da recessão provada pela crise financeira dos bancos dos Estados Unidos e da Europa. Deve também ser repudiada a atitude dos bancos Santander e Itaú de aproveitar o momento para demitir funcionários, o que nada tem a ver com a crise, mesmo quando megafusões do primeiro com o Real e do segundo com o Unibanco geram sinergias bilionárias, cujos dividendos vão acabar no bolso de poucas famílias no Brasil e no exterior.

Como reage o pequeno empreendedor quando vê uma corporação gigantesca anunciar ou ameaçar demissões e num momento de tanta apreensão e incerteza? Faz o mesmo e, em escala, os efeitos são devastadores para a economia e para a autoestima da população. Nada pior para todos que uma onda de demissões ou, numa hipótese menos ruim, a não-geração de novos postos de trabalho.

Não é possível que as gorduras acumuladas pelos mais diversos setores da economia não sirvam agora para fazer com que suportem o susto até que os mercados se normalizem, ainda mais no Brasil, onde o impacto da crise é diferenciado dos demais países e onde as decisões do governo central apontam na direção de aplicar reservas e esforços para evitar que o ritmo de crescimento seja afetado de forma a comprometer todo o esforço dos últimos anos.

De que adianta o governo federal, por intermédio das empresas estatais e das diretrizes de seu orçamento, sinalizar que continuará pondo o pé no acelerador, se o setor privado pisar no freio? Ao anunciar uma nova mexida na tabela do Imposto de Renda, que alivia a mordida nos salários, a redução do IPI no setor automotivo, do IOF dos empréstimos, a manutenção dos investimentos no PAC, o governo dá sinais das melhores intenções aos empresários. Mas os apelos em defesa dos empregos e dos investimentos não podem ficar no discurso. É preciso em toda lei, medida provisória ou resolução que represente injeção de recursos ficar bem claro aos setores beneficiados bancos, agricultores, indústrias, construtoras etc. que deles se exigirá, como nunca antes se exigiu neste país, garantias de retorno social para cada medida de incentivo. Caso contrário, o ano promete ser agitado.

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