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Número 27, Agosto 2008

Carta ao Leitor

Silêncio nada inocente

por Redação publicado , última modificação 17/11/2017 14h05
Danilo Verpa/Folha Imagem
Dantas

Dantas: desenvoltura dentro do aparato do Estado e da mídia desde o governo Fernando Henrique

Nos primeiros meses do governo Lula, em 2003, o sociólogo Francisco de Oliveira concedeu uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo classificando os sindicalistas que haviam assumido ministérios, diretorias de estatais e fundos de pensão como uma “nova classe social”, batizada de neopetismo, e os listou: Luiz Gushiken, Sérgio Rosa, Wagner Pinheiro, Ricardo Berzoini, entre outros. O sociólogo mudou-se para o PSOL, o jornal não se preocupou em investigar as afirmações, já que o mais importante era colar mais uma desqualificação no novo governo, e a tese continuou aberta à procura de uma antítese ou síntese.

A história da Operação Satiagraha é muito diferente no modo como os principais jornais e revistas que compõem o PIG (partido da imprensa golpista) trataram o assunto, como sendo “fruto do mensalão”. O inquérito da Polícia Federal, entretanto, aponta para mais algumas dezenas de desdobramentos, a maioria relacionada ao período em que Daniel Dantas montou seu aparato dentro do governo FHC.

Dantas e o banco Opportunity eram bastante conhecidos dos sindicalistas, aqueles que o sociólogo chamou de “nova classe”. Quando o assunto previdência complementar passou a fazer parte da pauta sindical, inúmeros dirigentes estudaram o assunto com afinco, para fazer frente aos representantes patronais e ao assédio de banqueiros nos fundos. Ao mesmo tempo, as “privatarias” – expressão cunhada pelo jornalista Aloysio Biondi –, além de movimentar bilhões, prejudicaram os trabalhadores. Os sindicatos denunciaram incessantemente o jogo de interesses. Sempre foram ignorados pela grande mídia, que apoiou a venda do patrimônio público.

Agora, não há como negar a história. É fato: gestores dos fundos de pensão, ainda no governo FHC, alertaram sobre o risco Dantas; e, sob o governo Lula, se fortaleceram para forçar a saída do Opportunity e acirrar conflitos que levassem o banqueiro a expor-se e baixar a guarda. E o fizeram menos por decisão de governo e mais por índole pessoal. A Revista do Brasil conversou com algumas dessas personalidades. Os integrantes da tal “nova classe”, não quiseram gravar entrevistas, mas não conseguem conter uma silenciosa satisfação, sinônimo de um delicioso prato que se come frio.

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