Editorial

Histórias que viram

Otavio de Souza/Divulgação O ator Rui Ricardo como Lula: a história dos trabalhadores “virou” com a organização sindical Expressões como “vira” e “não vira” ganharam novos sentidos na gíria popular. […]

Otavio de Souza/Divulgação

O ator Rui Ricardo como Lula: a história dos trabalhadores “virou” com a organização sindical

Expressões como “vira” e “não vira” ganharam novos sentidos na gíria popular. Quando algo “vira” é porque dá certo, funciona; se “não vira”, sem chance, pense em outra coisa. Talvez esses termos estejam associados a virar a página da própria história. Bem diferente daqueles usados por pescadores e marinheiros, para quem quando “vira” é porque o mar está perigoso. Mais uma vez, a Revista do Brasil traz reportagens sobre pessoas, instituições e histórias que “viram”.

Sem uma pauta preparada para esse efeito, apenas executando as premissas de um novo jornalismo que se busca para o Brasil atual, o leitor vai encontrar nestas páginas o Twitter, que virou; o sindicalismo, que se virou desde os anos 40; a necessidade de virar a página das demissões e buscar uma discussão mundial sobre a responsabilidade social em todos os sentidos; a arquiteta do gelo que não deixa a casa virar; o sorriso que vira tudo ao avesso; as oportunidades para fazer a vida virar depois de prestar contas à Justiça; a música que vira ponte para o futuro; a superação frente à morte; os sinos que falam; a paixão pelo futebol que dribla a crise e, sem perder a esportiva, vira a mesa do bar da Preta.

As rotativas que imprimem os grandes jornais do mundo é que estão virando menos. Em parte porque os jornalões não conseguem mais acompanhar a velocidade das informações; em parte porque as informações que produzem distanciaram-se das expectativas de seus leitores. Que talvez sonhem com democracia sólida, distribuição de renda, empresas responsáveis, trabalho decente e vida sustentável e, ao acordar, procuram informação e encontram bulhufas.

Observe as fotos da reportagem sobre o combate ao trabalho escravo, na capa e nas páginas 22 a 26. E observe a cena da página 16, o caminhão pau-de-arara cheio de migrantes do sertão nordestino em direção ao Sudeste. Compare as realidades – a vulnerabilidade aos “gatos”, à escravidão, a necessidade de sair da terra para viver – com a história dos trabalhadores brasileiros costurada a partir do filme Lula, Filho do Brasil, do cineasta Fábio Barreto. Junte a esses cenários o carinho dos leitores que nos escrevem. Ao contar as histórias que viram, construímos uma nova forma de jornalismo.

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