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As dicas de cultura para abril

Sons, imagens e outras viagens

divulgação
A Trip to Trinidad

Leveza

Em Diário da Água, a artista plástica e printmaker finlandesa Eeva-Liisa Isomaa imprimiu em finos tecidos imagens de paisagens que remetiam às suas memórias. Talvez o toque sedoso dos trabalhos seja o que ela acredita ser a paisagem: “Uma imagem interna atravessando o limite entre o sonho e a realidade”. A exposição, retrospectiva da trajetória de Isomaa nos últimos 18 anos, reúne dez instalações e oito obras no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba. De terça a domingo, das 10h às 18h. Até 4 de julho. R$ 4 e R$ 2. Informações: (41) 3350-4400.

Mulher moderna

Blanda é uma mulher atrapalhada e carismática que narra uma divertida comédia romântica na linha de Bridget Jones e Becky Bloom. Em Nove Minutos com Blanda (Ed. Multifoco), da jornalista Fernanda França, a protagonista está desempregada e divide o apartamento com o gato Freddy. Seu namorado não é, nem de longe, sua cara-metade, mesmo assim seguem os preparativos para o casamento. Quando ela se conforma que contos de fada não existem, sua vida dá uma guinada e começam as aventuras. Livro à venda no site www.fernandafranca.com.br por R$ 35.

Discriminação

O filme Bem-Vindo, de Philippe Lioret, retrata a vida de um iraniano em sua jornada pela França contemporânea. Bilal (Firat Ayverdi), de 17 anos, pretende chegar à Inglaterra para encontrar-se com a namorada e tornar-se jogador de futebol. Como? A nado, pelo Canal da Mancha. A amizade com seu professor de natação Simon (Vincent Lindon), os dramas pessoais em seus entornos e a força dos atores conferem poesia e sensibilidade a esse eficiente filme-denúncia sobre a realidade dos imigrantes no país da “liberdade, igualdade e fraternidade”. Em DVD.

Cidade sitiada

A vida da professora de piano Lúcia (Andréa Beltrão) vira de cabeça para baixo depois que seu filho Rafa (Lee Thalor) é preso. Para diminuir a pena, a mãe se aproxima de Ruiva, advogada de uma facção criminosa. Salve Geral, de Sergio Rezende, é ambientado na São Paulo sitiada por ações orquestradas pela facção, em maio de 2006. Corrupção, negociação entre o governo do Estado e a organização e debilidade do sistema de segurança são alguns dos ingredientes do filme, que, apesar de boa direção, não representa tudo o que começou naquele inesquecível Dia das Mães. Em DVD.

A poesia visual de quem não pode ver

poesia visual

Em 18 de setembro de 2004, a vida do vendedor Marco Aurélio Oton começou a mudar. Não só porque o filho tinha acabado de nascer, mas também porque sua visão ficou embaçada. Um ano depois, aos 22, não enxergava quase nada, e hoje só tem percepção de claridade e contraste. Mesmo assim, é autor de três das 20 fotos da exposição Acessibilidade, fotografias feitas por deficientes visuais, em cartaz no campus Santo Amaro do Senac, na capital paulista.

Os trabalhos fazem parte do projeto Alfabetização Visual, que capacita estudantes da faculdade de Fotografia do Senac para se tornarem educadores em projetos sociais. O tema acessibilidade começou a ser desenvolvido com sete deficientes visuais, que foram preparados para retratar o descaso e o difícil acesso nas ruas de São Paulo para pessoas portadoras de deficiências.

“O evento explora o papel que a fotografia pode desempenhar nas áreas de ação e inclusão social”, explica João Kulcsár, professor da unidade e idealizador do projeto. Para ele, o aluno com deficiência aprende a utilizar outros sentidos na captura das imagens e transfere sua percepção de mundo para o papel.

Marco Aurélio procurou o curso porque queria tirar fotos de sua família. “Na rua, quando me interesso por alguma coisa, espero alguém passar perto de mim e peço que me relate o que tem ao meu redor. Escolho o que quero fotografar, peço que a pessoa aponte meu braço na direção certa e faço várias fotos com focos diferentes. Para centralizar a câmera, coloco-a embaixo do queixo, bem fixa.”

As fotos da exposição também serão desenhadas em alto-relevo, com legendas e textos em braille para que todos possam “enxergar” o trabalho. Para proporcionar ao visitante a difícil experiência dos deficientes visuais, serão realizadas visitas guiadas e workshop nos dias 7 e 14 de abril. A exposição fica em cartaz de 7 a 30 de abril, das 8h às 20h, no Senac Santo Amaro. Informações: (11) 5682-7300. Grátis.