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Número 19, Dezembro 2007

Carta ao Leitor

Novo país, nova mídia

por Redação publicado , última modificação 25/09/2017 11h07
paulo donizetti de souza
banca

Revistas independentes, contra o "pensamento único", penam para ter espaço como nessa banca

A cena acima é uma raridade: as publicações mais contestadoras, alternativas e independentes do país expostas em espaço nobre de uma banca – situada num pedaço também nobre da Avenida Paulista. São revistas que teimam em sobreviver num mercado editorial monopolista e conservador. E a Revista do Brasil também vai entrar nessa prateleira e engrossar a resistência a favor da ampliação do acesso à informação – passo essencial para o país aprofundar seu processo de mudanças e fortalecer a democracia.

O perfil do Brasil atual começou a ser modelado entre meados da década de 1970 – com a anistia, as greves no ABC, a volta de algumas liberdades – e de 1980, da fundação das centrais sindicais à de novos partidos, passando pela reconquista das eleições diretas. Nesse período, o país das desigualdades sociais andou ainda meio de lado. E, no auge do neoliberalismo tucano, de ré. Agora, engata uma marcha, ainda pouco acelerada, à frente. Avançamos nos direitos humanos das crianças e dos idosos. Nos mecanismos de combate às desigualdades de gênero, de raça, de renda. Em novas formas de energia e na consciência ambiental. Empresários saboreiam o vigor capitalista.

Mas no campo da comunicação social pouco evoluímos. Grande parte do público duvida da velha mídia. Até atores que protagonizaram essa história recente tiveram expectativa ingênua, aguardando mudanças que não vieram. Outros, porém, cansaram de esperar. Até aqui, para as dezenas de entidades que lançaram a RdB, a experiência tem sido grandiosa. O exercício de unidade e de superação de diferenças, com a integração de dezenas de entidades sociais em torno do projeto, é um feito histórico, movido pela convicção de que a informação é um dos serviços essenciais que devem a seus representados.

A chegada da Revista às bancas e a venda de assinaturas visando à expansão de seu público, de sua capacidade de auto-sustentação, abrem uma nova etapa de um processo que ainda ganhará novos passos em direção a internet, rádio e TV. Nossa história e a de outros países mostram que ciclos bem definidos de mudança trazem também a reinvenção da imprensa. Então, em vez de reclamações, mãos à obra na construção de uma nova mídia, democratizando-a por conta própria.

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