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Revista do Brasil – Edição 143

O sofrimento físico e psíquico imposto aos presos políticos nos porões da ditadura durante os Anos de Chumbo não são coisa do passado. A intimidação, a violência policial, o abuso e o arbítrio fazem parte do cotidiano de quem não tem outra alternativa senão viver em meio à violência das ruas em pleno 2018.

O “povo da rua”, que sempre teve uma relação de respeito e afeto com dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), está no centro da exposição que marca os 95 anos que o cardeal arcebispo emérito de São Paulo completaria este ano.“O ‘povo da rua’ é muito torturado, humilhado, agredido. É importante fazer a lembrança do passado não porque é bom, mas porque ainda é muito presente”, pondera o padre Júlio Lancelotti.

Em 1994, ao ganhar o prêmio Niwano da Paz, concedido pela comunidade budista japonesa de Tóquio, dom Paulo perguntou à população de rua qual seria o seu desejo. A resposta: uma casa de oração, já que sofriam preconceito ao entrar nas igrejas em horários de missa. Com o valor do prêmio, cerca de US$ 190 mil, em 1997 foi então inaugurada a Casa de Oração do Povo de Rua, no bairro da Luz, região central da cidade.

“Ninguém pode tirar aquela casa do povo da rua. Ela vai estar lá para sempre, porque foi assim que Dom Paulo quis. Eu vou morrer, vou passar, outros virão e vão passar também, mas a casa vai permanecer”, diz o padre Júlio, na reportagem principal desta edição da Revista do Brasil.

Em tempos de democracia em risco, o professor de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ) Geraldo Prado explica como a cobertura da imprensa, as lacunas legais e a anuência de parte da sociedade contribuíram para a ascensão da colaboração premiada sistema de Justiça e todos os seus desdobramentos políticos e econômicos – que retiram cada vez mais direitos e tentam calar a voz do povo.

E Lalo Leal analisa que, nessa conjuntura, o debate eleitoral está cada vez mais distante de sua função, que é a educação política, e se transforma em verdadeiro programa de auditório. “Com esse tipo de debate altamente controlado, candidatos folclóricos ganham mais destaque do que aqueles com algo de sério a dizer. O debate, nesses casos, produz um desserviço à democracia”.