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Número 142,

De 19 a 25 de julho

Locadora Cavídeo resiste à era do streaming, vira ícone no Rio e promove mostra

De judoca olímpico a cineasta, Cavi Borges desafiou a era do filme on demand, abriu locadora com poucos recursos e tornou-se ícone do cinema independente, como produtor, diretor e distribuidor
por Luciana Ackermann, para a Revista do Brasil publicado 19/07/2018 14h23, última modificação 19/07/2018 14h30
De judoca olímpico a cineasta, Cavi Borges desafiou a era do filme on demand, abriu locadora com poucos recursos e tornou-se ícone do cinema independente, como produtor, diretor e distribuidor
Divulgação
yamandu costa

Documentário 'Semente' retrata bar da Lapa que virou reduto de uma geração de músicos como Yamandú Costa

Divulgação cavi borges
Cavi: ganhar pouco e fazer o que gosta

Foi depois de quebrar a costela, que o impediu de participar da Olimpíada de Atlanta (1996), nos Estados Unidos, aos 17 anos, que o então judoca Carlos Vinicius Borges, teve a ideia de abrir um espaço com vídeos de luta, na efervescente Cobal do Humaitá, zona sul do Rio. Sem dinheiro para serviços de despachante, Cavi cuidou sozinho de toda a burocracia para abertura da loja – levou quase um ano. Percebeu a concentração de cineastas, produtores, atores, estudantes de cinema curiosos para saber se ali teria filmes do Woody Allen, Federico Fellini e de tantos outros nomes consagrados, que Cavi desconhecia.

"Não entendia nada de cinema, fui anotando tudo, pesquisando e assistindo aos filmes recomendados. Mudei de foco, como eu viajava muito para Nova York por causa das lutas, trazia filmes raros, cults que só tinha na Cavídeo", conta ele.

Em 2000, preparadíssimo para a Olimpíada de Sidney, na Austrália, rompeu os ligamentos do joelho e ficou um ano sem poder andar. Depois montou um cineclube ao lado da videolocadora, com mostras mensais, semanais, festas, encontros. Ficou conhecido como produtor cultural, ajudou a montar cineclubes por diversas regiões do Rio, especialmente em favelas e áreas carentes do estado. E construiu uma rede de parceiros, uma espécie de embrião de coletivos, com quem costuma trabalhar desde 2005 como realizadores.

Formou-se em Economia, depois Cinema e já produziu 62 longas e 137 curtas, somando médias e séries. Dirige um longa-metragem por ano, como o premiado documentário Cidade de Deus – 10 anos Depois, ao lado de Luciano Vidigal, lançado em 2013, e o inédito Heróis, no qual aborda a história de três atletas do judô, entre eles, a campeã mundial Rafaela Silva, da Cidade de Deus.

O filme integra a Mostra 21 anos da Cavídeo, com sete pré-estreias, além de debates com realizadores e homenagens a importantes artistas cariocas: a professora de dança Angel Vianna, o professor de judô Mehdi e o músico e cineasta Sérgio Ricardo. (confira abaixo a programação)

Mesmo em tempos de streaming, Cavi descarta dar fim à locadora. "Tenho muitos filmes raros, antigos e de arte. Alguns diretores deixam suas obras lá sem serem lançadas comercialmente. São 26 mil títulos e 20 mil clientes, que, às vezes, vão para bater papo, virou um ponto de encontro", conta. E se antes tirava dinheiro da locadora para colocar na produtora, agora faz o inverso.

"É um conglomerado, que também conta com uma distribuidora", resume, satisfeito com a trajetória que representa uma vitória da resistência cultural carioca, como locadora, uma das últimas do Brasil, produtora de filmes e distribuidora, lançando filmes nos cinemas, festivais, cineclubes, Netflix, YouTube, dvds, entre outras janelas.

Além do longa que dirige, Cavi produz, em média, outras 10 obras. "Produzimos muito e ganhamos pouco dinheiro em cada filme, pagamos um preço por fazer o que gostamos, como documentários, que não têm o mesmo alcance de público que as comédias. Escolhemos fazer o que nos dá prazer e isso fica impresso nos filmes."

Confira a programação

A Mostra Cavídeo 21 Anos vai até o dia 25
Estação NET Botafogo: Rua Voluntários da Pátria, 88. (21) 2226-1988. R$ 12

Quinta-feira, 19 de julho – 21h30
• Semente da Música Brasileira. De Patricia Terra. Documentário. 90 min



História do bar que virou reduto da nova geração de sambistas e músicos na Lapa. Responsável pela revitalização do samba e da música instrumental dos anos 1990 no Rio e apresentando toda uma nova geração de músicos como Yamandú Costa, Teresa Cristina, Zé Paulo Becker, Moyses Marques entre outros. Direção e roteiro: Patricia Terra. Fotografia: Arthur Sherman. Edição: Paulo Henrique Fontenelle. Produção: Cavi Borges. Som: Uerlem Queiroz


Sexta-feira, 20 – 21h30
• Cidade Invisível, de Terêncio Porto. Documentário. 75 min



A partir do fato histórico da vinda da Família Real portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, Cidade Invisível propõe uma arqueologia às avessas ao questionar o mito da Cidade Maravilhosa e a irreverência do carioca. Direção: Terêncio Porto. Roteiro: Adriana Nolasco e Terêncio Porto. Produção Executiva: Adriana Nolasco e Terêncio Porto. Direcão de fotografia: Camila Marquez. Som direto: Bruno Espírito Santo


Sábado, 21 – 21h30
Salto no Vazio, de Cavi Borges e Patricia Niedermeier. Ficção. 70 min



"Quando se deseja ir mais longa e além, saltamos no vazio". Filmado em seis países (Brasil- EUA- Alemanha- Síria - França - Hungria) mistura dança, performance e videoarte mostrando a história de um casal de artistas viajando e criando pelo mundo. Direção e roteiro: Cavi Borges e Patricia Niedermeier. Fotografia: Vinicius Brum. Edição: Christian Caselli. Trilha sonora: Rodrigo Marçal. Produção: Carol Dib e Cavi Borges


• Exibição do curta Outono, de Anna Azevedo.
• Homenagem à bailarina Angel Vianna.

Domingo, 22 – 21h30
• Heróis, de Cavi Borges. Documentário. 70 min

História de três judocas olímpicos: Rafaela Silva, campeã olímpica no Rio 2016, Popole Misenga, atleta refugiado do Congo, e Rogerio Sampaio, campeão olímpico em Barcelona 92. Direção e roteiro: Cavi Borges. Edição: Gabriel Duran. Fotografia: Vinicius Brum. Produção: Carol Dib e Cavi Borges 

• Exibição dos curtas Mehdi, de Cavi Borges, e Paraíso Insólito, de Anselmo Vasconcellos.
• Homenagem ao judoca Mehdi.

Segunda-feira, 23 – 21h30

• Bandeira de Retalhos, de Sérgio Ricardo. Ficção. 90 min



No fim dos anos 70, comunidade Morro do Vidigal se junta para impedir sua remoção por políticos corruptos. Baseado em fato reais. Direção, roteiro e trilha sonora: Sérgio Ricardo. Edição: Victor Magrath. Produção executiva: Cavi Borges


• Exibição do curta O Menino de Calça Branca, de Sérgio Ricardo.
• Homenagem ao músico e diretor de cinema Sérgio Ricardo.

Terça-feira, 24 – 21h30

• Vende-se Esta Moto, de Marcus Vinicius Faustini. Ficção. 85 min


Xeu e Lidiane terão um filho. Ela faz pressão para que ele venda sua moto e consiga outro emprego. A notícia da gravidez e a visita de Xeu a um primo na Maré trazem instabilidade para a relação. Direção e roteiro: Marcus Faustini. Produção: Cavi Borges e Carol Dib. Fotografia: Pedro Paiva. Edição: Gregório Torres. Elenco: João Pedro Zappa, Vinicius de Oliveira, Mariana Cortines, Silvio Guindane

Quarta-feira, 25 – 21h30
• Sigilo Eterno, de Noilton Nunes. 75 min.




O filme que salvou a humanidade. Direção e roteiro: Noilton Nunes. Produção: Cavi Borges. Elenco: Aline Deluna, Rolo