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Número 127,

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Legado de Capitu, acervo de Pixinguinha e moçambicanos na Flipoços

Política, crime, suspense, paixão e literatura conduzem o primeiro romance policial de Flávio Aguiar. Site reúne acervo completo de Pixinguinha e evento traz escritores moçambicanos a Poços de Caldas
por Xandra Stefanel, para Revista do Brasil publicado 29/04/2017 11h51, última modificação 02/05/2017 16h59
Política, crime, suspense, paixão e literatura conduzem o primeiro romance policial de Flávio Aguiar. Site reúne acervo completo de Pixinguinha e evento traz escritores moçambicanos a Poços de Caldas
Divulgação
Paulina

Paulina Chiziane, primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, é um dos destaques da Flipoços

Enigma com Capitu

Escândalos políticos, crime, suspense, alta literatura, paixão, dilemas éticos e reflexões sobre envelhecimento e solidão. O Legado de Capitu, primeiro romance policial do poeta, crítico literário e colaborador da Rede Brasil Atual Flávio Aguiar tem trama ambientada em Berlim, São Paulo, Brasília e Porto Alegre, e conta uma história envolvendo um boêmio professor universitário aposentado que é chamado para desvendar um crime que só um especialista em Machado de Assis seria capaz de fazê-lo.

O ex-professor que vive em Berlim (assim como o autor do livro) é tirado de sua tranquila rotina quando, em uma madrugada qualquer, recebe um telefonema de um agente da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. Ele é convidado a ajudá-los a solucionar um rocambolesco mistério que envolve um senador da República brasileira e seu arqui-inimigo político, um deputado federal, com um crime não desvendado no passado. E que, provavelmente, está envolvido com o recente sequestro de um jornalista que, antes de desaparecer, deixou uma nota mencionando o “legado de Capitu” – protagonista do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.

'O Legado de Capitu'O personagem principal descobre ter se envolvido em uma trama amorosa que tem muito dos amores dos personagens Bentinho e Capitu, bem como dos ciúmes que devoram o narrador deste clássico da literatura brasileira. Por estar perto de solucionar o caso, o ex-professor acaba se tornando perseguido e corre agora risco de vida. Ao reviver lembranças de seu passado, ele se questiona sobre seu futuro e o do país, sobre as cicatrizes deixadas pela ditadura no Brasil e os conturbados momentos atuais da sociedade brasileira e mundial.

O Legado de Capitu é um livro eletrônico (ebook) publicado pela Boitempo e vendido pela Amazon (R$ 17,99). Assista a esta reportagem da TVT.

 

O coração de Pixinguinha

Para comemorar o aniversário do instrumentista, compositor, maestro e arranjador Pixinguinha, celebrado neste 23 de abril, Dia Nacional do Choro, o Instituto Moreira Salles acaba de lançar o site www.pixinguinha.com.br, que reúne todo o acervo do músico, composto por documentos e objetos pessoais, fotografias, milhares de partituras manuscritas de suas composições e arranjos, além de uma farta discografia disponível para audição on-line.

Na abertura do site, um vídeo apresenta uma versão de Carinhoso com Chico Buarque, Joyce Moreno, Zélia Duncan, Monarco e Carminho, que gravaram a canção que tem letra de Braguinha para celebrar os 100 anos da música. Um dos destaques da página é o Catálogo Crítico de Obras de Pixinguinha, resultado da pesquisa que Pedro Aragão e José Silas Xavier fizeram não apenas no acervo do IMS, mas nos do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, no Instituto Jacob do Bandolim e Instituto Casa do Choro, entre outras entidades parceiras.

Também está disponível na íntegra o documentário Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba, que recupera o material de um show que ficou “perdido” por 50 anos. Filmado por Thomaz Farkas em abril de 1954 e lançado em 2007, o curta-metragem apresenta o espetáculo de Pixinguinha que celebrava o IV Centenário de São Paulo no Parque Ibirapuera. “Ver o Pixinguinha dançar e tocar dá uma emoção no coração e você chora”, diz Farkas.

Ao todo, mais de 9 mil peças podem ser visitadas no site, entre elas, dois choros inéditos: Cai no Mangue e É Mágoa que Elas Têm, compostas por Pixinguinha em 1931 e nunca lançadas comercialmente.

 

Evento será realizado de 29 de abril a 7 de maio, em Poços de Caldas (MG)Feira literária em Minas Gerais

A 12ª edição da Flipoços, o Festival Literário de Poços de Caldas, reúne de 29 de abril a 7 de maio uma comitiva de autores moçambicanos e muitas atividades literárias. Como o país africano será homenageado neste ano, os autores Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane, Mbate Pedro, Lucílio Mantaje, Sangare Okapi, Dany Wambire e Rui Laranjeira farão parte do evento, que traz também o diretor de Cultura de Moçambique, Roberto Dove, e o conselheiro cultural do país africano Romualdo Jonham.

Paulina Chiziane, a primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, fará uma palestra ao lado de campeãs nacionais de poesia falada (slam) e outra sobre literatura feita por mulheres negras em um quilombo da cidade mineira. Paulina, uma exímia contadora de histórias, lançou seu primeiro livro, A Balada de Amor ao Vento, em 1990. Ela escreve sobre esperança, amor, sobre as mulheres e a África do passado e do presente.

O evento promove diversas mesas de discussão, debates sobre a literatura africana, o intercâmbio literário com o Brasil, visitas a locais históricos de Poços de Caldas e até mesmo um sarau na zona rural do município. Haverá também teatro de bonecos, jantar temático, exibição de filmes e contação de histórias, entre outras atividades. Alguns dos escritores convidados lançarão obras ainda inéditas no Brasil.

Para conferir a programação completa do evento, visite a página da Flipoços. Mais informações: (35) 3697 1551.