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'Eu Não Sou Seu Negro', festival de rap e São Paulo em questão

Documentário explora o que é ser negro nos Estados Unidos; exposição celebra ícone da capital paulista; álbum faz crítica à cidade de São Paulo; e festival reúne rap, hip hop e cultura de rua no Glicério
por Xandra Stefanel, para a RBA publicado 18/02/2017 14h45
Documentário explora o que é ser negro nos Estados Unidos; exposição celebra ícone da capital paulista; álbum faz crítica à cidade de São Paulo; e festival reúne rap, hip hop e cultura de rua no Glicério
Divulgação
Direitos

'Eu Não Sou Seu Negro': uma obra forte e importante para refletir sobre o passado e o presente

Estreou esta semana nos cinemas brasileiros o documentário Eu Não Sou Seu Negro, de Raoul Peck, com narração de Samuel L. Jackson. O longa-metragem indicado ao Oscar de Melhor Documentário é baseado no livro Remember This House e trata de questões raciais nos Estados Unidos a partir das trajetórias e dos assassinatos de Martin Luther King Jr., Malcolm X e Medgar Evers. O romancista, dramaturgo, poeta e crítico social afro-americano James Baldwin confiou o manuscrito inacabado de seu livro à Raoul Peck, que utiliza o material junto de imagens de arquivo dos movimentos Direitos Civis e Black Power, costurando as lutas históricas por justiça e igualdade com as atuais.

As palavras de Baldwin narradas por Jackson afirmam que James Baldwin foi uma figura importante durante o seu desenvolvimento como jovem negro. Trata-se de um filme engajado sobre direitos civis, uma obra forte e importante para refletir sobre o passado e o presente. "Eu queria ter o Baldwin no centro das atenções, sem que testemunhas o interpretem ou o adivinhem. Me parece politicamente urgente colocar as palavras de Baldwin nas ruas, como ele teria feito pessoalmente, e ter certeza de que essas palavras não fossem censuradas ou suavizadas, e sim diretas e cruas. Ele tinha de ser a mensagem, eu só queria ser o mensageiro", afirma o diretor.

 

Ícone paulistano

Um dos maiores símbolos da cidade de São Paulo, a Avenida Paulista, ganhou nesta semana uma exposição em sua homenagem. Avenida Paulista, em cartaz até 28 de maio no Museu de Arte de São Paulo (Masp), “representa um olhar para este local icônico da cidade, que é ao mesmo tempo cartão-postal e palco de embates e disputas de muitas ordens”. A mostra, que faz parte das comemorações dos 70 anos do Masp, é dividida em dois segmentos: o primeiro reúne representações da Avenida Paulista na parede da esquerda e do fundo da galeria do primeiro andar, com fotografias, documentos, pinturas, registros de ações performáticas, objetos e cartazes históricos de 38 autores, de 1891 a 2016; o segundo segmento é composto por 14 novos projetos comissionados para a exposição, que ocupam a entrada, o meio e o lado direito da galeria do primeiro andar.

As obras trazem à tona os contrastes econômicos e sociais que fazem parte da história e do cotidiano da avenida: o capital financeiro, o comércio informal, o capital simbólico, as instituições culturais, as manifestações políticas e as questões de sexualidade, já que se trata de palco de uma das maiores paradas LGBT do mundo. O museu também promove oficinas e exibição de filmes sobre a Paulista. De terça a domingo, das 10h às 18h, e às quintas-feiras, das 10h às 20h, com bilhetes a R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada) e grátis às terças-feiras. Na Avenida Paulista, 1578, na Bela Vista, em São Paulo. Mais informações: www.masp.art.br.

Trilha sonora para Sampa

Poesia, funk, eletrônico e sonoridades do candomblé se misturam no som da banda Aláfia, que acaba de lançar seu terceiro álbum, SP Não é Sopa. O disco produzido e dirigido por Eduardo Brechó traz 11 faixas que tratam sobre questões políticas, sociais e raciais da capital paulista. “São Paulo é uma relação de amor e ódio mesmo. Pensei muito nas grandes trilhas de blaxploitation para produzir esta homenagem concreta e ácida. As letras falam da Amaral Gurgel, Bela Vista, Brasilândia, Vila Madalena, São Mateus, Capão Redondo e das vizinhanças onde circulamos”, afirma Brechó, autor de dez faixas do disco.

A música que dá nome ao álbum tem participação da rapper Tássia Reis; a dupla Raquel Virgínia e Assucena Assucena, de As Bahias e a Cozinha Mineira, dividem os vocais em Mano e Mona; e Luísa Maita participa da faixa Saracura, uma homenagem ao bairro da Bela Vista. Desigualdade, violência policial, especulação imobiliária e juventude periférica são alguns dos temas do álbum que pode ser ouvido na íntegra no canal da banda no YouTube.

Rap e hip hop no Glicério

O bairro do Glicério sedia neste final de semana a segunda edição do festival O Fino da Zica. Promovido pelo canal homônimo do YouTube, o evento celebra a cultura e a música de rua com a participação da banda Senzala Hi-Tech, da rapper e militante feminista Lívia Cruz, e do grupo Mano Moneys, além de batalha de rap e apresentações de b-boys, MCs, DJs, de artistas plásticos e do balé popular Cordão da Terra.

O evento será realizado na Galeria Pico das 16h às 22h deste sábado (18), com ingressos a R$ 5 com doação de uma peça de roupa em bom estado ou R$ 10 sem doação. Na Rua do Glicério, 721, em São Paulo.