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Número 107,

Crônica

Arte em memória à barbárie do Centro Cívico, em Curitiba

por Redação RBA publicado 14/06/2015 16h44
Diogo de Moraes
Onibus

Ilustração "Esfolar", de Diogo de Moraes, 2015

Hoje fui à praça!

À praça da cidade.

Fui juntar-me aos meus pares na luta por dignidade.

A praça era bonita, tomada por guerreiros pacíficos e desarmados.

Eis que o céu cinza vem ao chão em forma de fumaça.

Vê-se uma praça de guerra.

Fomos covardemente atacados sem motivo.

Educadores desarmados alvejados por um sem número de balas de borracha e bombas de efeito moral, que pendiam do alto dos prédios, vindo de todas as direções, inclusive dos céus.

Sim, havia helicópteros para inibir a multidão.

Assim como cães policiais, tropas de choque, camburões de todas ordem.

A praça, que deveria abrigar cidadãos, abrigou a covardia.

Lá na praça tem uma creche.

As crianças estavam em pânico, a excessiva fumaça de gás chegou aos pequenos.

A praça esvaziou-se. E, do recuo, assistimos por mais de uma hora o lançamento ininterrupto de bombas.

Mas a praça não estava completamente vazia. Havia feridos e não podíamos resgatá-los.

Hoje fui à praça. E me orgulhei dos meus companheiros de luta.

Hoje fui à praça e amanhã também irei!

(Texto: Praça, de Maria Ravazzani, 2015)

Capa LivroO texto e a ilustração integram o livro Pequeno Compêndio de Repúdio Ao Massacre No Centro Cívico, que reúne trabalhos de vários artistas visuais, em repúdio à violenta e criminosa repressão governamental sofrida pelos professores e servidores públicos do Paraná em 29 de abril. Sob a concepção e coordenação de Diogo de Moraes e Neide Jallageas, o convite à participação de artistas de todo o país foi divulgado por meio do Facebook. O livro completo pode ser acessado aqui