Do samba ao metal

A potência da banda carioca El Efecto no programa ‘Hora do Rango’

No estúdio da Rádio Brasil Atual, grupo vai tocar as músicas do novo álbum, 'Memórias do Fogo', falar de política e contar sua trajetória

Bernardo Vieira/Divulgação/Reprodução Facebook

A banda El Efecto no Hora do Rango

“Acreditamos na música como forma de militância, um meio de organizar os sentimentos de indignação diante da injustiça social”, diz o baterista Gustavo Loureiro

São Paulo — A programação do Hora do Rango desta semana encerra com a banda El Efecto, formada por Tomás Rosati (voz, cavaquinho e percussão), Cristine Ariel (guitarra, cavaquinho e voz), Tomás Tróia (guitarra e voz), Gustavo Loureiro (bateria), Bruno Danton (voz, violão e viola) e Eduardo Baker/Pedro Lima (baixo). O grupo está lançando o álbum Memórias do Fogo, coletânea de ritmos que vai do samba ao metal, evocando a potência cultural da música brasileira, sem perder a característica da veia política da banda carioca. São sete faixas, sendo seis delas autorais e uma versão de Chama Negra, composição de Rachel Barros, interpretada pela própria.

Inspirado na trilogia de mesmo nome do escritor uruguaio Eduardo Galeano, obra clássica que fala sobre a trajetória da América Latina, o álbum evoca a importância de se cultivar a “chama interior”, seja para não esquecer que o mundo está pegando fogo, ou até mesmo para, juntos, incendiá-lo em algum sentido.

“Percebemos que, de uma maneira ou de outra, as músicas tinham em comum a referência ao elemento do fogo. E juntas, compunham um painel poético de situações, personagens e alegorias que evocam lutas coletivas contra diferentes formas de opressão, espalhadas em cenários, épocas e realidades distintas. Uma evocação à necessidade mais objetiva de torrar os ônibus, por exemplo, ou à imagem da barricada.   A ideia é que cada uma das músicas pretende ser uma chama, pra esquentar, pra botar lenha na fogueira, pra incendiar nossos corações”, explica Bruno.

“Acreditamos na música como forma de militância, um meio de organizar os sentimentos de indignação diante da injustiça social e das diversas formas de opressão, uma forma de estimular e abraçar as iniciativas de luta e, ao mesmo tempo, de nos sacudir, questionar o encaminhamento das nossas vidas, nossos gestos. Enfim, é uma trincheira para respirar, sentir, refletir e seguir ganhando terreno no confronto contra o massacre”, finaliza Gustavo.