JUSTIÇA SOCIAL

Lula reforça discurso contra a concentração de renda e pela tributação das fortunas

Na conferência da OIT, em Genebra, presidente brasileiro destacou o aumento do número de bilionários no mundo, alfinetou Elon Musk e voltou a defender a taxação dos super ricos

Reprodução/Youtube
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Em discurso na OIT, Lula também pediu um basta nas guerras da Ucrânia e em Gaza

São Paulo – Em discurso nesta quinta-feira (13) na Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, Suíça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o aumento da concentração de renda e a defender a tributação das fortunas. “O Brasil está impulsionando a proposta de taxação dos super-ricos nos debates do G-20”, disse. E emendou: “Nunca antes o mundo teve tantos bilionários. Estamos falando de 3 mil pessoas que detêm quase US$ 15 trilhões em patrimônio. Isso representa a soma dos PIBs de Japão, Alemanha, Índia e Reino Unido”, disse, ao pedir um novo “modelo de globalização”.

Em agendas na Europa, Lula vai defender trabalho decente e taxação dos super ricos

Lula lembrou que “a concentração de renda é tão absurda que alguns indivíduos possuem seus próprios programas espaciais para não ficar na Terra, no meio dos trabalhadores que são responsáveis pela riqueza deles”, disse, alfinetando o bilionário Elon Musk.

Lula citou o papa Francisco, que afirma que não há democracia e nem desenvolvimento quando há pessoas passando fome. “Não há desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade. Por isso, aceitei o convite do diretor-geral Gilbert Houngbo, da OIT, para copresidir a Coalizão Global para a Justiça Social. Ela será instrumental para implementar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, disse.

O presidente mencionou políticas retomadas no país com seu governo, a partir de 2023. “Retomamos as políticas de valorização do salário mínimo, de erradicação do trabalho infantil e de combate a formas contemporâneas de escravidão”. Lembrou a aliança por trabalho digno, em parceria com o presidente dos Estados Unidos Joe Biden, e chamou atenção para as dificuldades no mundo do trabalho.

“Apesar das projeções da taxa de desemprego mundial para este ano e o próximo apontarem modesta diminuição de 5% para 4,9%, não devemos nos iludir. A informalidade, a precarização e a pobreza são persistentes. O número de pessoas em empregos informais saltou de aproximadamente 1,7 bilhão, em 2005, para 2 bilhões neste ano. A renda do trabalho segue em queda para os menos escolarizados. Quase 215 milhões – mais do que a população do Brasil – vivem em extrema pobreza mesmo estando empregados”, destacou.

O presidente foi enfático ao condenar as guerras. “Trabalhadores que deveriam dedicar-se a suas vidas e famílias são direcionados para frentes de batalha de onde ninguém sabe se irá voltar e quem sairá vencedor”. Lembrou o conflito em Gaza, com mais de 37 mil vítimas fatais, a maioria mulheres e crianças, e que acumula o triste recorde de mortes de trabalhadores humanitários. “Por isso é importante afirmar: o mundo precisa de paz e prosperidade E nao de guerra”. E terminou seu discurso: “não à guerra entre Rússia e Ucrânia. E não ao massacre na Faixa de Gaza”.

G7 só convidou o Brasil para reuniões em governos Lula

Após a conferência da OIT, Lula viaja para a Itália para participar da Cúpula do G7, grupo que reúne líderes de sete das maiores economias do mundo: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Até 2014, a Rússia integrava o grupo conhecido como G8. No entanto, foi expulsa devido à anexação da Crimeia, que era vinculada à Ucrânia. O atual G7 não abrange as sete maiores economias do mundo porque, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), China e Índia têm, respectivamente, a segunda e a quinta maiores.

É a oitava vez que Lula participa da Cúpula. As seis primeiras foram nos dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2009. Desde então o Brasil só voltou a ser convidado no ano passado, quando a cúpula foi realizada em Hiroshima, no Japão. A expectativa é que o presidente brasileiro discurse sobre temas como trabalho decente, combate à fome e a taxação dos super-ricos.

A reunião começa hoje e vai até este sábado (15), na cidade italiana de Borgo Egnazia, na região da Puglia, no sul do país. Além das reuniões ampliadas de trabalho, a agenda do presidente prevê encontros com autoridades de outros países.

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Redação: Cida de Oliveira