desigualdade

Em agendas na Europa, Lula vai defender trabalho decente e taxação dos super ricos

Presidente brasileiro participa de conferência na Organização Internacional do Trabalho, em Genebra, nesta quinta. E na sexta, terá reuniões com representantes dos países ricos na Cúpula do G7, na Itália

Ricardo Stuckert
Ricardo Stuckert
É a oitava vez que Lula vai à Cúpula do G7. As seis primeiras de 2003 e 2009. O Brasil só voltou a ser convidado em 2023

São Paulo – Em viagem à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta quinta-feira (13) de conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, Suíça, sobre justiça social. Antes de embarcar para o evento, nesta quarta, afirmou que pretende ser “o representante dos trabalhadores” no evento mundial. Lula abrirá o encontro, reiterando o posicionamento brasileiro contrário à desigualdade e à exclusão social.

“Um discurso de que não abro mão é o de falar contra a desigualdade, a desigualdade no mundo do trabalho, a desigualdade de raça, de educação, de gênero”, disse o presidente. Ele se referia aos empresários brasileiros que questionaram na Justiça a lei da igualdade salarial entre homens e mulheres, que entrou em vigor em dezembro do ano passado.

Após participar de evento com investidores no Rio de Janeiro ontem à tarde, reafirmou a igualdade:“Nós aprovamos no Congresso brasileiro uma coisa muito importante: entre mulheres e homens com a mesma função: a mulher tem que ganhar o mesmo salário. Há empresário que está recorrendo, que não quer pagar, acha que a mulher é inferior. Então, essa é uma coisa importante.

Lula vai divulgar parceria construída com governo dos Estados Unidos

Em abril, a Justiça Federal liberou farmácias e universidades, entre outros setores, da obrigação de divulgar informações salariais e de critérios de remuneração previstas na regulamentação da Lei da Igualdade Salarial. O governo recorre da decisão, e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que as empresas que omitem dados sobre igualdade salarial terão “olhar especializado” da área de fiscalização da pasta.

Segundo Lula, o governo brasileiro vai apresentar no encontro a parceria com o governo dos Estados Unidos para a promoção do trabalho decente no mundo. Formalizada em setembro passado, a iniciativa inédita entre os dois países, que envolve a ação dos sindicatos na base de apoio, visa combater a precarização do trabalho.

A conferência em Genebra começou no último dia 3 de junho e reúne 187 Estados-membros da OIT. A delegação brasileira conta com integrantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, além da sociedade civil, sindicatos ligados a trabalhadores e a empresas. O ministro Luiz Marinho juntou-se a eles na segunda-feira (10).

G7 só convidou o Brasil para reuniões em governos Lula

Após a conferência da OIT, Lula viaja para a Itália para participar da Cúpula do G7, grupo que reúne líderes de sete das maiores economias do mundo: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Até 2014 a Rússia integrava o grupo, conhecido como G8. No entanto, foi expulsa devido à anexação da Crimeia, que era vinculada à Ucrânia. O atual G7 não abrange as sete maiores economias do mundo porque, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), China e Índia têm, respectivamente, a segunda e a quinta maiores.

É a oitava vez que Lula participa da Cúpula. As seis primeiras foram nos dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2009. Desde então o Brasil só voltou a ser convidado no ano passado, quando a cúpula foi realizada em Hiroshima, no Japão. A expectativa é que o presidente brasileiro discurse sobre temas como trabalho decente, combate à fome e a taxação dos super-ricos.

A reunião começa hoje e vai até este sábado (15), na cidade italiana de Borgo Egnazia, na região da Puglia, no sul do país. Além das reuniões ampliadas de trabalho, a agenda do presidente prevê encontros com autoridades de outros países.

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Redação: Cida de Oliveira