Definido

Recusar vacinas faz de Bolsonaro um genocida, diz associação de juristas

Para Juristas pela Democracia, milhares de pessoas morrem todos os dias por uma doença para a qual existe vacina. Mas o presidente dificulta a compra

Carolina Antunes/PR
"Presidente da República boicota a compra de vacinas, minimiza efeitos do lockdown e incentiva o uso de cloroquina, que não tem eficácia contra a covid-19", destaca a associação

São Paulo – As dificuldades impostas e mesmo a recusa à compra de vacinas por orientação do presidente Jair Bolsonaro configuram ato genocida, constata a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD). A entidade lembra que, por definição, genocida é o responsável pelo extermínio de muitas pessoas em pouco tempo. Ou seja, é legítima a nominação que irrita Bolsonaro a ponto de recorrer à Lei de Segurança Nacional (LSN) para perseguir os que assim o qualificam.

Por isso, a ABJD vem realizando iniciativas para esclarecer à população as razões pela qual Bolsonaro pode sim ser chamado de genocida. Entre elas, a projeção de imagens em um prédio no centro de Curitiba na noite da última segunda (10). Na atividade, o núcleo da associação no Paraná mostrou fatos relacionados à grave situação da pandemia de covid-19 no Brasil, como a falta de vacinas e de insumos como oxigênio hospitalar e até máscaras.

A projeção continha frases como “já são mais de 400 mil óbitos. Está faltando vacina, oxigênio, máscara, está faltando governo”. Outra: “Presidente da República boicota a compra de vacinas, minimiza efeitos do lockdown e incentiva o uso de cloroquina, que não tem eficácia contra a covid-19”. E “vários países compraram vacinas em 2020. Bolsonaro não quis comprar vacinas. CPI da Covid: Bolsonaro recusou pelo menos  11 propostas de compras de vacinas”.

Bolsonaro e as mais de 400 mil mortes

“Jair Bolsonaro tem usado a Lei de Segurança Nacional (LSN) para tentar perseguir desafetos políticos, especialmente pelo uso do termo “genocida”. As projeções explicam à população a correção da expressão e apontam que, se o Brasil possui hoje mais de 400 mil mortes por Covid-19, o responsável é o presidente, especialmente no ano de 2021,” explica o jurista Nuredin Allan, da Executiva Nacional da ABJD.

De acordo com ele, a recusa na compra de imunizantes fez com que apenas uma pequena fração da população fosse vacinada até agora. “Milhares de pessoas morrem por dia, vítimas das consequências da covid-19. Milhares de pessoas morrem todos os dias por uma doença para a qual existe vacina e que o presidente Jair Bolsonaro se recusou a comprar em número suficiente para imunizar a população e salvar vidas”, conclui.

Redação: Cida de Oliveira