Vacinas

Governo Bolsonaro ignorou proposta da Pfizer por quase dois meses, diz Wajngarten

Na CPI da Covid, ex-chefe da Secom disse que carta com oferta de vacinas enviada pelo laboratório em setembro de 2020 só foi respondida por ele em novembro

Edilson Rodrigues/Agência Senado
Ex-chefe da Secom evitou confrontar declarações de Bolsonaro desestimulando a vacinação em massa

São Paulo – O ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação (Secom) Fabio Wajngarten afirmou à CPI da Covid, nesta quinta-feira (12), que uma proposta apresentada pela farmacêutica Pfizer ao governo Bolsonaro em 12 de setembro de 2020 não foi sequer respondida até o início de novembro. Ele afirmou ter sido alertado dessa demora por um “dono de um veículo de comunicação”. A partir daí, ele próprio teria participado dessas negociações.

De acordo com o ex-chefe da Secom, a carta com a proposta da Pfizer foi endereçada ao presidente Jair Bolsonaro; ao vice, Hamilton Mourão, e também aos ministérios da Saúde, da Economia, bem como à Casa Civil e ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster.

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“Não participei do começo da conversa, nem sei quando ela começou. O assunto veio a mim, através de um dono de veículo de comunicação”, disse Wajngarten. “Até nove de novembro, ninguém havia respondido a essa carta”, acrescentou. Ele teria, então, respondido a correspondência, o que teria resultado num telefonema do então presidente da Pfizer, Carlos Murillo, para dar continuidade às tratativas.

No entanto, ele negou que a proposta inicial apresentada pela farmacêutica fosse para a aquisição de 70 milhões de doses. “As propostas da Pfizer, no começo das conversas, falavam em irrisórias 500 mil vacinas”, afirmou.

Evasivas

No início do seu depoimento, Wajngarten adotou postura semelhante à do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, evitando confrontar as sucessivas declarações de Bolsonaro levantando dúvidas infundadas sobre eventuais efeitos colaterais das vacinas. Nesse sentido, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão, lembrou que o presidente chegou a afirmar que não compraria “vacina chinesa” e comemorou a suspensão dos testes clínicos da Coronavac. O presidente disse, ainda, que “Se você virar um jacaré, problema é seu”, ao comentar sobre eventuais efeitos colaterais da vacina produzida pela Pfizer.

Apesar do conteúdo de declarações como essas, o ex-chefe da Comunicação tergiversou, no entanto. “Ele é o líder máximo da nação. Combinado com outras formas de recebimento da mensagem, formam a decisão na cabeça da população. Para cada público alvo, tem um impacto diferente”. Wajngarten chegou a comparar a “forma metafórica” das declarações de Bolsonaro a decisões técnicas das autoridades sanitárias, no Brasil e no mundo, em casos de uma eventual suspensão da utilização de determinados imunizantes.

Em seguida, Renan indagou sobre quem orientava o presidente “a fazer esse tipo de raciocínio”. “Acho que o senhor tem que perguntar a ele”, respondeu o ex-secretário, irritando os senadores. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), interveio, alegando que não poderia responder daquela forma. E que estava sob juramento para falar a verdade como testemunha. A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) também cobrou respeito aos trabalhos da comissão.


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