Muito a explicar

CPI da Covid ouve hoje Fabio Wajngarten, ex-secretário de comunicação. Acompanhe

Ex-secretário não executou comunicação sobre combate ao contágio, pagou por campanha contra isolamento e se envolveu em negociação polêmica com Pfizer

Marcelo Camargo/ABr
Fabio Wajngarten disse em entrevista que procurou a Pfizer para proteger Bolsonaro de ataques

São Paulo – O ex-secretário especial de Comunicação Social Fabio Wajngarten será ouvido hoje (12) pelos senadores da CPI da Covid. O depoimento, que terá início às 9h30, é aguardado com expectativa, já que o publicitário poderá responder sobre duas das questões centrais sobre a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro no agravamento da pandemia. Uma delas, a falta de um plano de comunicação para orientar a população sobre as medidas de prevenção ao contágio pelo novo coronavírus; e a outra, a demora, e as “polêmicas”, em torno de negociações para compra de vacinas.

Acompanhe o depoimento de Wajngarten

Convocado por requerimento do vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o ex-secretário Fabio Wajngarten, demitido no início de março, tem criticado o Ministério da Saúde “por falta de competência” na compra de imunizantes desenvolvidos pela Pfizer. Maria Díez e Carlos Carlos Murillo, atual e ex-representante da Pfizer, estão programados para depor na sequência, nesta quinta-feira (13). Em entrevista à Veja no final de abril, o ex-secretário especial disse que foi procurado pelo dono de um veículo de imprensa, relatando que a farmacêutica enviou carta ao ministério, então sob o comando do general Eduardo Pazuello. E que não houve resposta.

Fabio Wajngarten e Pfizer

Wajngarten então teria se oferecido para negociar com a farmacêutica porque acreditava, segundo ele, que devia evitar responsabilização a Bolsonaro pelas mortes na pandemia. As tratativas então avançaram, os diretores se comprometeram a antecipar entregas, aumentar volumes e até mesmo aceitaram reduzir o preço da unidade, que ficaria abaixo de US$ 10 – Israel pagou US$ 30. Porém, as negociações teriam sido barradas novamente no Ministério da Saúde por pessoas “despreparadas que estavam cuidando dessa questão”. Mas ele não disse se Pazuello fazia parte do grupo.

Esses contatos de Wajngarten com a Pfizer deverão ser questionados a fundo pelos senadores durante a CPI, assim como a falta de campanhas de esclarecimento sobre a importância por isolamento social, uso de máscaras, necessidades básicas de higienização e, principalmente, sobre a gravidade da doença.

Não fez campanha de esclarecimento

Em oposição a isso, Bolsonaro sempre fez propaganda do que chama de “tratamento precoce” com medicamentos que comprovadamente não trazem benefícios para as pessoas doentes de covid-19, mas trazem riscos. É o caso da cloroquina e da ivermectina.

Na mesma entrevista, o ex-secretário – tido como ausente do comando direto da secretaria para poder manter estreita proximidade com o estafe do presidente da República –, afirmou que já foi acusado de não ter feito campanha publicitária para divulgar a importância da vacina. “Como eu ia fazer campanha de vacinação se não tinha vacina. Se fizesse, seria propaganda enganosa”, disse. No entanto, Wajngarten deixou de fazer propaganda dos métodos preventivos enquanto a vacina não chega. Ao contrário, promoveu campanha publicitária dizendo que o Brasil não pode parar, contrariando orientações científicas pelo isolamento.

Outro assunto a ser explicado por Fabio Wajngarten é por que promoveu uma excursão de quase meio milhão de reais a Israel, sem a presença de cientistas, para conhecer um spray nasal para tratamento de covid. Filho de Bolsonaro e o ex-chanceler Ernesto Araújo – que teve de ser advertido para que usasse máscara diante dos anfitriões. Pelo que se viu da defesa de Bolsonaro pelo ex-secretário especial de comunicação social, é bem provável que seu depoimento siga na mesma direção do atual ministro da Saúde. Na última quinta-feira (6), Marcelo Queiroga não respondeu nenhuma pergunta que pudesse reforçar a responsabilidade do presidente na morte de mais de 420 mil brasileiros.


Quem vai à CPI da Covid depois de Fabio Wajngarten

  • Quinta-feira (13) – Maria Díez, presidente da subsidiária brasileira da Pfizer e Carlos Murillo, que ocupou o cargo até fevereiro.
  • 18/5 – Ex-Ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo.
  • 19/5 – Ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello.
  • 20/5 – Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde. Ficou conhecida como “Capitã Cloroquina” pela campanha para forçar médicos do Amazonas a usar este e outros medicamentos.
  • 25/5 – Dimas Covas, diretor do Instituto Butantã, que distribui a vacina Coronavac.
  • 26/5 – Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, parceira da AstraZeneca.
  • 27/5 – Fernando Marques, presidente da União Química, que aguarda liberação para iniciar produção da Sputnik V.

Redação: Cida de Oliveira
Edição: Paulo Donizetti de Souza