Pandemia desgovernada

Ex-chanceler Ernesto Araújo depõe na CPI da Covid nesta terça-feira. Acompanhe

Araújo será cobrado quanto a explicações sobre críticas à China, compra de remédios sem eficácia contra a covid e sobre o processo de aquisição de vacinas pelo país

Marcelo Camargo / ABr
Araújo será cobrado quanto à defesa de remédios ineficazes contra a covid, como a cloroquina

São Paulo – O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo prestará depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (18), às 9h. Na condição de testemunha, Araújo será cobrado quanto a explicações sobre as críticas que fez à China, principal parceiro comercial do Brasil e também fornecedora de insumos para a fabricação de vacinas no combate à covid-19.

Acompanhe o depoimento de Ernesto Araújo

O ex-ministro também deve responder a indagações sobre a compra de remédios sem eficácia contra a covid, como a cloroquina. E como ele dificultou a aquisição de vacinas pelo governo brasileiro.

O testemunho de Araújo será o sétimo depoimento à CPI da Covid, que até agora ouviu os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich; o atual ministro da pasta, Marcelo Queiroga; o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres; o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten; e o dirigente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo.

Os depoimentos colhidos até agora indicam que o governo de Jair Bolsonaro foi negligente com as medidas de proteção sanitária contra a covid-19. E também negligenciou a compra de vacinas, demarcando uma das razões pelas quais o processo de vacinação no país se apresenta lento e insuficiente para a superação de medidas de controle sanitário.

A insistência do governo na defesa da cloroquina, apesar de sua ineficácia, é outra linha de fatos que tem se destacado na CPI, apontando para a responsabilidade do governo quanto ao fracasso no enfrentamento à pandemia, que desde seu início já matou mais de 430 mil pessoas no país.

Nesta quarta-feira (19), será a vez do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello comparecer à CPI. Na quinta (20), será a vez da secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”.

Carlos Bolsonaro

A CPI da Pandemia recebeu novos requerimentos na manhã desta segunda-feira (17). O senador Humberto Costa (PT-PE) protocolou pedidos de convocação do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do assessor do Palácio do Planalto Filipe Martins. Filipe também é alvo de pedido de convocação de outro requerimento, do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). A CPI ainda não tem data para votar esses requerimentos.

Tanto Carlos quanto Filipe foram citados pelo presidente regional da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, como participantes de uma reunião no Palácio do Planalto com a Pfizer em dezembro de 2020. Outros depoentes da CPI corroboraram a afirmação.

Pelo Twitter, Alessandro explicou que as convocações se devem a essa “reunião paralela” que teria ocorrido para tratar das propostas da Pfizer para venda de vacinas ao Brasil. Alessandro também requereu à CPI a quebra de sigilos do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten, também participante da reunião.

“A investigação técnica exige estas medidas. Quem não deve não teme”, afirmou Alessandro.

Humberto apresentou, ainda, requerimentos para pedir  informações ao Ministério das Relações Exteriores sobre o spray nasal israelense de combate à covid-19; para solicitar informações ao Ministério da Saúde e ao Conitec “quanto ao pedido de incorporação tecnológica ou protocolo clínico relacionado à covid-19”

Com informações da Agência Senado

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