Perspectivas

Dilma: processo de ‘fascistização’ no Brasil pode ser detido com ‘Luiz’ no fim do túnel

Para professor, vitória eleitoral não é suficiente: é preciso mudar o modelo econômico e instalar um tribunal para punir os responsáveis por ‘genocídio’ de brasileiros

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Dilma afirma que atual presidente foi o 'ovo da serpente' chocado pelo impeachment em 2016

São Paulo – Para a ex-presidenta Dilma Rousseff, o Brasil experimenta uma forma híbrida do que ela chama processo de “fascistização” da sociedade. Processo que inclui militarização crescente no aparelho estatal, exclusão política de setores populares e antipetismo substituindo o anticomunismo como inimigo interno. “O Bolsonaro é certamente o ovo da serpente, chocado pelo golpe de 2016”, afirmou Dilma, na última etapa de curso promovido pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Grupo de Estudos de História e Economia Política (Gmarx), vinculado ao Laboratório de Economia Política e História Econômica (Lephe-USP), que tinha o fascismo como tema. Com mediação do diretor de formação da FPA, Jorge Bittar, o debate foi retransmitido nesta segunda-feira (17) pela TV 247.

Dilma apontou o fascismo como “possibilidade histórica” sob diversas formas. Presente tanto no imperialismo capitalista como no regime liberal-democrático ou mesmo de exceção. Sempre marcado por uma “crise de hegemonia”, observou, e pelo enfraquecimento do movimento operário. Com traços presentes no impeachment de 2016: a emenda do teto de gastos, por exemplo, “retira o povo do orçamento”.

Unidade progressista

Agora, para enfrentar “o pior presidente da história”, é preciso unir os progressistas, diz Dilma. “Hoje nós temos um caminho intermediário. Surgiu uma luz, ou um Luiz, no final do túnel”, acrescentou, apontando o nome do do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “alternativa de poder real no espectro popular”.

Dilma e o professor Lincoln Secco (abaixo, à direita) debateram origens históricas e consequências do fascismo. Mediação foi feita por Jorge Bittar

Curador do curso, o professor Lincoln Secco afirmou que não se pode falar em fascismo, seja no Brasil ou no mundo, sem citar o capitalismo. O fascismo, segundo ele, foi um “produto conjuntural” da 1ª Guerra. Uniu “desmobilizados da guerra, classes médias ressentidas, elites econômicas que deserdaram de seus partidos tradicionais”.

E foi, ao mesmo tempo, um movimento que utilizou “técnicas racionais de manipulação” para capturar o que há de mais “irracional” nas sociedade. São, inclusive agora, ameaças à democracia agindo dentro da democracia.

Culto à morte

“E agrega outra característica, que talvez seja a mais monstruosa, o culto à morte”, diz ainda o professor. Isso se transformou, agora, em política de Estado. “Estamos diante de um movimento fascista que chegou ao poder, que concentra características, mas não se trata ainda de um regime fascista.”

Para Secco, uma vitória eleitoral em 2022 será importante, mas não suficiente como resposta ao avanço do fascismo no Brasil. “Temos que modificar o modelo econômico do país. Mas precisamos acima de tudo instaurarmos um verdadeiro Tribunal de Manaus”, afirma. Ele cita a capital amazonense porque julga ter ocorrido lá um verdadeiro “laboratório de genocídio”. Assim, seria necessária instalar um tribunal como foi o de Nuremberg (que no pós 2ª Guerra julgou crimes cometidos pelos nazistas) “apurarmos e punirmos os crimes das pessoas deste governo que causaram a morte de centenas de milhares de brasileiros de forma deliberada”.



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