CPI da covid

Queiroga se cala sobre efeitos das aglomerações causadas por Bolsonaro

Mas atribui agravamento da pandemia à aglomeração nas eleições. Com vacinação em ritmo lento, ministro também desconversa sobre campanhas massivas para combater a desinformação e o contágio

Reprodução
Ministro blindou Bolsonaro e não respondeu questões sobre temas sensíveis ao governo Bolsonaro, como a propaganda para o uso da cloroquina,

São Paulo – O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se calou, em depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira (6), sobre efeitos das aglomerações causadas por Jair Bolsonaro. O titular da pasta da Saúde desconversou ao responder perguntas do vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O ministro mudou de assunto quando deveria ponderar sobre a responsabilidade do presidente e sua campanha de desinformação. Ao todo, o mandatário esteve em mais de 40 eventos, em diversas localidades, reunindo dezenas – e até centenas – de pessoas à sua volta para conversar e tirar fotografias. E como ele, a maioria dispensando o uso da máscara.


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No entanto, Queiroga atribuiu o agravamento da pandemia em 2021, que já matou mais de 412 mil pessoas, às aglomerações durante as eleições determinadas pelo ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Eventos como festas de fim de ano também foram mencionados.

Queiroga omisso

O auxiliar de Bolsonaro desconversou também sobre a realização, pela pasta, de campanhas massivas para informar sobre as medidas a serem tomadas pela população na prevenção ao contágio pelo novo coronavírus enquanto não há vacina para todos. É o caso do uso de máscara, higienizar as mãos e, principalmente, evitar aglomerações. Embora concorde com a importância dessas medidas, respondeu ao senador Eduardo Braga (MDB-AM) que “em suas frequentes entrevistas à imprensa destaca essas questões”.

Assim, Queiroga deu a entender na CPI da Covid que essa estratégia, recomendada pela Organização Mundial da Saúde, não deve mesmo ser incentivada pelo governo. Isso apesar de essa medida ter sido necessária desde o início da pandemia, há mais de um ano.

“A estratégia do governo é a vacinação”, repetiu diversas vezes, com veemência. Inclusive, alegando que o governo tem tomado “todas” as providências para aumentar a compra desses imunizantes. Entre elas, uma reunião com o governo russo, em que Bolsonaro teria pedido diretamente ao presidente Vladimir Putin ajuda para acelerar o acesso à Sputnik V, cuja importação ainda não foi aprovada pela Anvisa.

Governo Bolsonaro mente

Apesar de o governo espalhar que o Brasil está entre os que mais vacinam contra a covid-19, o país conseguiu aplicar duas doses em apenas 7% do grupo do grupo prioritário. E há um déficit de 80 milhões de doses somente para a imunização dos profissionais de saúde. Segundo o ministro, entre os motivos estão a demora dos próprios laboratórios e questões logísticas.

Em diversos momentos do depoimento, o ministro da Saúde irritou a maioria dos senadores da oposição. Com o argumento de “não fazer juízo de valor”, deixou de responder diversas perguntas. Principalmente aquelas sobre pressões de Bolsonaro para o uso de cloroquina em pacientes com covid-19, apesar da falta de comprovação sobre a eficácia e segurança.

Além de irritar a maioria dos integrantes da CPI, o ministro de Bolsonaro também causou indignação ao dizer, com espantosa naturalidade, que ainda está sendo definido protocolo para o enfrentamento de uma pandemia que começou há mais de um ano. E que, do mesmo modo, está para ser criada uma secretaria extraordinária de enfrentamento, com diretorias e comitês auxiliares.     

Queiroga se recusa a responder se concorda com Bolsonaro sobre cloroquina

Redação: Cida de Oliveira