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País recebe 42 milhões de doses de vacina a menos do que Lira e Bolsonaro anunciaram

Há três meses, presidente da Câmara, eleito com ajuda de Bolsonaro, anunciou número de doses em nome do goverrno até maio. Prazo se encerrou nesta segunda-feira (31)

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lira e Bolsonaro são aliados para tocar pautas neoliberais no Congresso Nacional

São Paulo – Em 1° de março de 2021 o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou no Twitter – colocando-se como voz de Jair Bolsonaro – que seriam entregues 140 milhões de doses de vacina contra a covid-19 até este mês de maio. “Agora na TV Record, anunciei que o governo vai entregar 140 milhões de vacinas para os meses de março, abril e maio. O assunto foi tratado ontem na reunião com o presidente Bolsonaro. Também ficou acertado o auxílio emergencial, que deve ser de R$ 250 até junho”, escreveu o líder do Centrão, eleito para comandar a Câmara.

Mas, segundo cronograma do próprio Ministério da Saúde, o total de doses de imunizantes previstas para entrega até o fim do mês que acaba hoje era de 98,3 milhões. O resultado é 30% abaixo do “anunciado” por Lira. Seriam 47,6 milhões da AstraZeneca/Oxford, 47,2 milhões da Coronavac/Butantan e 3,5 milhões da Pfizer. Fora essas doses, a Pfizer confirmou nesta segunda (31) a entrega de mais 2,4 milhões de doses esta semana.


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Em seu depoimento da CPI da Covid, o diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas, afirmou que  “o Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação se não fossem esses percalços (do governo Bolsonaro), tanto contratuais como de regulamentação”. Ele lembrou que “o mundo começou a vacinar no dia 8 de dezembro”. No fim daquele mês, o Butantan tinha 5,5 milhões de doses de vacina prontas e 4 milhões “em processamento”. No cronograma de contrato recusado por Bolsonaro em 2020, havia a previsão de entrega de 60 milhões de doses ainda em dezembro do ano passado. A primeira dose da CoronaVac só foi aplicada no país em 17 de janeiro, no braço da enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos. 


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Por sua vez, o presidente da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, disse à CPI que a farmacêutica fez três ofertas agosto. A empresa propunha dois contratos, um de 30 milhões de doses e outro de 70 milhões de doses, com entrega de imunizantes ainda em 2020.

No depoimento de Covas, senadores de oposição e independentes calcularam que o Brasil poderia ter recebido até meados de maio 150 milhões de doses de vacinas. Segundo o diretor do Butantan, Bolsonaro mandou cancelar contrato de 100 milhões de doses da CoronaVac.

No tuíte de Lira postado em março, o deputado omite que o valor de R$ 250 “concedido” por acordo do Centrão com o governo Bolsonaro é insuficiente para minimizar a tragédia social da população vulnerável. Além disso, ainda assim, foi obtido no Congresso Nacional por pressão da oposição. Em abril de 2020, assim como neste ano, o governo era contra qualquer auxílio. Por pressão social e da oposição, o primeiro auxílio chegou ao valor de R$ 600.