Eleições 2022

XP/Ipespe: Lula lidera sucessão. Avaliação negativa de Bolsonaro dispara

Segundo a sondagem, 60% dos entrevistados desaprovam a maneira como Jair Bolsonaro administra o país, enquanto Lula salta 16 pontos em pouco mais de dois meses. Pré-candidatos estão em empate técnico

Ricardo Stuckert - Marcos Corrêa/PR
Devolução dos direitos políticos de Lula já influi nas pesquisas eleitorais, que mostram também aumento da impopularidade de Jair Bolsonaro

São Paulo – Poucos dias após ter suas condenações anuladas e de o juiz Sergio Moro ser considerado suspeito para julgar os processos da Operação Lava Jato em que era réu, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já aparece ligeiramente à frente, mas em empate técnico com Jair Bolsonaro (sem partido), em pesquisa XP/Ipespe de intenções de voto para 2022.

Segundo o levantamento divulgado hoje (5), na simulação estimulada do primeiro turno, em que o eleitor escolhe seu candidato entre opções apresentadas pelo entrevistadores, as intenções de voto no ex-presidente no primeiro turno saltaram de 17%, em maio de 2020, para atuais 29%. Com isso, Lula surge tecnicamente empatado com Bolsonaro, que aparece com 28% das intenções de voto. A margem de erro da pesquisa é de 3,2% para mais ou para menos. Ciro Gomes aparece com 9%, mesmo percentual alcançado por Sergio Moro.

Já na simulação espontânea, quando o entrevistado responde o nome que quiser, Lula aparece com 21% das intenções de voto e Bolsonaro, com 24%. Ambos estão empatados tecnicamente também nesse índice, dentro da margem de erro. No entanto, o salto de Lula é relevante: saiu de 5% em 21 fevereiro de 2021 e foi para 17% em 11 de março, data da última pesquisa XP/Ipespe, chegando em abril a 21%. Bolsonaro, por sua vez, tinha 25% em março e está entre a queda e a estagnação.

Governo errado

O levantamento também aponta que a avaliação negativa (ruim/péssimo) do governo Jair Bolsonaro subiu três pontos percentuais e agora soma 48%, em comparação à última rodada da pesquisa divulgada em março passado. Ao mesmo tempo, a avaliação positiva do governo Bolsonaro (ótimo/bom) caiu três pontos e está em 27%. A porcentagem dos que consideram o governo regular manteve-se em 24%.

Segundo a sondagem, 60% dos entrevistados passaram a desaprovar a maneira como Jair Bolsonaro administra o país, frente a 56% em março e em oposição a 33% que ainda afirmam aprovar a administração atual. Não souberam ou não responderam a essa questão 7% dos pesquisados.

Economia e coronavírus

Além de apontar o derretimento político do governo Bolsonaro, a nova pesquisa XP/Ipespe mostra que cresceu também a percepção dos eleitores que desaprovam a política econômica sob o comando de Paulo Guedes. Ao todo, 65% dos entrevistados afirmaram que a economia está no caminho errado – foram 63% em março. Já quem considera que o Brasil está no caminho certo em relação à sua economia caiu de 27% para 23%.

Outro dado importante é que diminui rapidamente o número de entrevistados que afirma confiar conseguir manter o emprego nos próximos seis meses: apenas 47%. Em pesquisa de fevereiro, 60% disseram que mantinham a expectativa. No mês passado eram 52%.

O levantamento informa também que aumenta entre os brasileiros o temor pelo agravamento constante da pandemida de covid, com 55% das pessoas afirmando estar com muito medo em relação ao surto. Outras 28% dizem estar com um pouco de medo. No auge da pandemia no ano passado, em setembro, a pesquisa indicava 40% dos entrevistados com muito medo de morrer por covid-19.

Vacina já

A intenção de se vacinar para se prevenir contra o coronavírus é compartilhada por 80% dos entrevistados pela XP/Ipespe, o que também demonstra o desastre da gestão negacionista da pandemia pelo governo Bolsonaro. Apenas 8% responderam que com certeza não irão se vacinar.

O levantamento XP/Ipespe foi realizado entre os dias 29 e 31 de março.