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Vídeo ilustra com atos de Bolsonaro teoria formulada pelo ‘pai dos psicopatas’

Produção mostra como comportamento do presidente encaixa na descrição de personalidades psicopáticas elaborada por Kurt Schneider

Marcos Corrêa/PR
Bolsonaro poderia ilustrar as definições de Kurt Schneider

São Paulo – Um vídeo curto, e bem humorado, mostra como o presidente Jair Bolsonaro enquadra-se à descrição de personalidades psicopáticas elaborada por Kurt Schneider (1887-1967). O psiquiatra alemão é conhecido como o “pai dos psicopatas” por conta especialmente de livro cujo nome em português é Personalidades Psicopáticas, de 1923. O vídeo é assinado por Pedro Daltro e Cristiano Botafogo, do blog Medo e Delírio em Brasília. E em ritmo de clipe falado, encaixa imagens e frases conhecidas de Bolsonaro em um artigo do psiquiatra forense Guido Palomba, publicado há um mês na Folha de S.Paulo.

“(O vídeo) faz uma colagem geral de momentos que de fato ilustram uma situação subjetiva do personagem apresentado, no caso o atual presidente da República, que pode nos causar vergonha, medo, preocupação. E sem dúvida demonstra a expressão de um sujeito que não está convivendo com a sociedade dentro de limites éticos. O que nos faz suspeitar que essa pessoa tenha problemas cognitivos, além dos éticos. E que esse problemas cognitivos possam ser também problemas de caráter”, afirma a filósofa e professora universitária Marcia Tiburi.

Ápice do autoritarismo

Ela acrescenta que há uma ideia de que não é possível tratar Jair Bolsonaro como um louco, porque loucos e a loucura não têm relação com as atitudes do ocupante da Presidência. Porém, Tiburi afirma que “loucura é um conceito genérico que tem uma validade psíquica” e que, “sendo um conceito expandido, a gente usa essa expressão para dar conta de tudo aquilo que escapa da razoabilidade ou de uma racionalidade aceitável. De fato, o personagem desse vídeo, fica claro que ele está bem longe dessa experiência de razoabilidade”.

Por fim, Marcia Tiburi cita um outro pensador alemão, Theodor Adorno, expoente da chamada Escola de Frankfurt, que em uma de suas obras investiga a personalidade autoritária. “E, de fato, todos esses aspectos que compõem a personalidade autoritária, ou o que ele chamava de fascista em potencial, aparecem nesse vídeo. Desde a devoção ao líder autoritário, a agressividade autoritária, a frieza, o ódio explícito ao diferente, a maneira odiosa de tratar a sexualidade dos outros, a incapacidade de refletir sobre si mesmo. Enfim, o ápice do autoritarismo”.

Jair Bolsonaro, do texto ao vídeo

Em seu artigo, o psiquiatra forense Guido Palomba observa que Kurt Schneider, no Personalidades Psicopáticas, ou Die Psychopathischen Persönlichkeiten no título original, define o psicopata como o detentor de um comportamento social desprovido de sentimentos como piedade, compaixão e autruísmo. Sem valores éticos-morais, incapazes de reconhecer culpa e demonstrar remorso ou arrependimento,. Só voltam atrás em qualquer atitude se for uma estratégia pontual.

Outro ponto é a vaidade exagerada, o prazer em repetir expressões como “quem manda aqui sou eu”, ou “eu faço o que quero”. Também são agressivos, mal-educados, provocadores e toscos, constantemente usando palavras baixas ou xingamentos para atacar quem o questiona. Em geral, apresentam pouca inteligência, costumam ser rancorosos e vingativos. Isso os torna sujeitos com alta periculosidade, sendo detidos apenas por reprimenda enérgica, judicial ou legal.

Quando ocupando cargos de poder, tendem a se tornarem tiranos, pois colocam interesses próprios acima das funções de pessoa pública. Mesmo que isso agrida valores éticos ou legais. Por fim, chega-se à conclusão de que eles não têm cura, porque a origem do mal é orgânica e irremovível. Isso porque, não raro, sofreram lesões cerebrais quando muito jovens ou até antes, quando ainda sendo gestados em gravidez complicada.

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