Cumplicidade

Eduardo Cunha, em prisão domiciliar, se declara apoiador de Bolsonaro

Ex-presidente da Câmara que operou o golpe contra Dilma, Eduardo Cunha, afirma que fez ajuste em pedido de impeachment antes de encaminhá-lo

Reprodução
Eduardo Cunha, então no comando da Câmara: uma ilha de honestidade cercada de homens de bem por todos os lados

São Paulo – O ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que hoje apoiaria Jair Bolsonaro. Para lembrar, Cunha foi cassado e preso por corrupção em 19 de outubro de 2016, depois de consolidado o golpe do impeachment contra Dilma Rousseff. Mas a gestão de Bolsonaro em meio à pandemia, que já levou ao genocídio de mais de 355 mil pessoas no Brasil, não parece perturbá-lo. “Quem elegeu Bolsonaro porque não queria a volta do PT tem a obrigação de dar a governabilidade a ele”, afirma Cunha. “Se estivesse no poder, eu o apoiaria.”

Na entrevista a Bruno Boghossian, o ex-deputado relata que o início da conspiração conduzida pelo vice Michel Temer para derrubar Dilma, se deu em agosto de 2015, portanto três meses antes de ele acolher o pedido. Mas nega ter participado da articulação, que tomou corpo depois de o governo da ex-presidenta recusar-se a bancar sua defesa ante o processo de cassação. Cunha conta ter tomado a decisão de acolher o pedido de impeachment na casa de Rodrigo Maia (DEM-RJ) em seguida, em outubro de 2015. E admite ter combinado uma alteração no pedido que havia sido protocolado por Hélio Bicudo. O objetivo do “ajuste” foi justamente incluir decretos orçamentários de Dilma em 2015, que caracterizariam crime de responsabilidade das chamadas pedaladas fiscais.


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“No segundo momento, eu relato a decisão de aceitar o pedido, inclusive com assinatura e guarda no cofre da secretaria-geral, em 29 de outubro, aguardando o momento que eu decidisse a sua divulgação, em 2 de dezembro”, afirma Eduardo Cunha. Na entrevista, o ex-presidente da Câmara, que hoje se encontra em prisão domiciliar, rejeita o termo “traição” para qualificar a operação de Temer. “A palavra traição significa rompimento de um compromisso que nem sei se existia”, tergiversa. A leitura conflita com o fato de Temer ter aceitado ser vice, defendendo o programa de governo do PT. E, tão logo viu a janela se abrindo, passou a defender o discurso e o programa do PSDB, que havia sido derrotado na eleição.

Leia a entrevista na íntegra