CPI da Covid

CPI da Covid: Bolsonaro expôs país ao vírus e deve ser responsabilizado, diz senador

Indicado como suplente da comissão, Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou que CPI deve investigar opção deliberada de Bolsonaro por contaminar a população, com “imunidade de rebanho”

Jefferson Rudy/Agência Senado
CPI da Covid tem 10 dias para indicar integrantes, 11 titulares e sete suplentes

São Paulo – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), fez a leitura, nesta terça-feira (13), do requerimento de criação da CPI da Covid, que vai apurar ações e omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia. Os senadores também devem investigar eventuais desvios nas verbas federais destinadas a estados e municípios. Mas sem focar na atuação de prefeitos e governadores, como chegou a defender o presidente Jair Bolsonaro. Além disso, a comissão terá como fato determinado a ser investigado o colapso do sistema de saúde no estado do Amazonas, em janeiro deste ano, que culminou com a morte de pacientes por falta de oxigênio.

Nesta quarta-feira (14), o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), se reúne para analisar a validade da decisão do ministro Luís Roberto Barroso, que determinou ao Senado a abertura da CPI da Covid. A expectativa é que os demais ministros referendem essa decisão. Agora há um prazo de 10 dias para os líderes dos partidos no Senado indicarem os integrantes da CPI da Covid. Serão 11 titulares e sete suplentes. Definidos os nomes, os senadores se reunirão para eleger o presidente e o relator da comissão, que terá 90 dias para fazer os trabalhos de investigação.

Composição

Alguns partidos já definiram seus integrantes, e a maioria deles é considerada independente ou de oposição ao governo Bolsonaro. O MDB, por exemplo, deve escalar os senadores Eduardo Braga (AM) e Renan Calheiros (AL) como titulares – este último, ferrenho opositor, cotado para ser o relator da comissão. Pelo PSD, Omar Aziz (AM) e Otto Alencar (BA) também mantêm postura equidistante. O PT deverá indicar o ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PE). Pela Rede, o senador Randolfe Rodrigues (AP), autor do requerimento da CPI da Covid para investigar Bolsonaro, também pode entrar na disputa por relatoria ou mesmo presidir o inquérito.

Para fazer a defesa do governo, os prováveis indicados serão os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Girão (Podemos-CE) e Marcos Rogério (DEM-RO).


Reprodução/TVT
Rogério Carvalho (PT-SE): Bolsonaro transformou país em “verdadeira câmara” para o coronavírus

“Ele acabou transformando o Brasil numa verdadeira câmara de vírus, levando a morte de quase 360 mil brasileiros até o momento. Com o descontrole que nós estamos, podemos chegar a 500 mil, 600 mil mortos”


Na avaliação do senador Rogério Carvalho (PT-SE), indicado como suplente de Humberto Costa, a CPI “não deve terminar em pizza nem em impeachment”. Mas os desdobramentos dos trabalhos da comissão são imprevisíveis. Além disso, ele disse acreditar que Pacheco – o presidente do Senado – está determinado em fazer a comissão funcionar, seja de maneira remota ou semipresencial. Para Rogério Carvalho, o foco da investigação deve ser a forma como Bolsonaro conduziu o enfrentamento da pandemia. Segundo ele, mais do que eventuais erros e omissões, o presidente fez uma opção deliberada em facilitar a disseminação do novo coronavírus no Brasil.

Nesse sentido, orientados pela estratégia da chamada “imunidade de rebanho“, Bolsonaro e seus principais assessores sabotaram todas as medidas de enfrentamento – como o uso de máscaras e distanciamento social. Segundo essa tese, contestada pela ciência, o melhor remédio para a pandemia seria deixar a população se infectar livremente. Os que não morressem, desenvolveriam anticorpos contra a doença, garantindo a imunização do conjunto da população.

“Ele acabou transformando o Brasil numa verdadeira câmara de vírus, levando a morte de quase 360 mil brasileiros até o momento. Com o descontrole que nós estamos, podemos chegar a 500 mil, 600 mil mortos”, afirmou Carvalho. Carvalho é médico, especialista em saúde pública, em concedeu entrevista a Marilu Cabañas, no Jornal Brasil Atual. “Chamou a atenção desde o início o risco a que Bolsonaro submeteu os brasileiros quando defendeu a imunidade de rebanho”, destacou.

‘Gripezinha’

No entanto, o estrago só não foi maior devido à reação do Congresso, de governos e prefeitos, junto à sociedade civil. Isso porque coube às autoridades locais fazer a defesa do distanciamento social e do uso de máscaras, além de outras medidas restritivas. Sem isso, o país já poderia ter atingido a marca de 1 milhão de mortos.

“Ele atuou de forma deliberada para que as pessoas se contaminassem. Ele fez aglomeração sem máscara, pegou na mão das pessoas, andou de jet-ski, disse que era uma gripezinha. Que tinha kit preventivo, quando não tinha. Bolsonaro proibiu o uso de máscaras, enfrentou governadores”, listou o senador, ao defender a CPI da Covid.

Assista à entrevista

Redação: Tiago Pereira