Insuficiente

Auxílio emergencial menor começa a ser pago nesta terça

Com redução do público atendido e do valor das parcelas, nova rodada do benefício deve ser insuficiente para suprir as necessidades mínimas das famílias em meio ao auge da pandemia, avalia diretor técnico do Dieese

Marcello Casal Jr./EBC
A nova rodada será paga primeiramente aos nascidos em janeiro e seguirão a ordem das datas de nascimento

São Paulo – Começam a ser pagas nesta terça-feira (6) as parcelas do auxílio emergencial 2021 que, além do valor reduzido, também terá características distintas em relação ao pago anteriormente. Cerca de 45,6 milhões de pessoas, segundo o governo federal, receberão durante os próximos quatro meses parcelas entre R$ 150 e R$ 375, a depender da composição das famílias. Quase 22 milhões de pessoas a menos do que o total de beneficiários em 2020. A maioria, o equivalente a 43%, deve ser atendida pela cota mais baixa, na categoria “unipessoal”, voltada a famílias com apenas uma pessoa.

Uma parcela menor, de 9,3 milhões de pessoas, deve receber a maior cota, de R$ 375, direcionada a mulheres provedoras de suas famílias. A nova rodada será paga primeiramente aos nascidos em janeiro e seguirá a ordem das datas de nascimento. De acordo com a Caixa Econômica Federal, o auxílio será pago independentemente de solicitação para a pessoa que, em dezembro de 2020, estava elegível para recebimento. O valor poderá ser movimentado por meio do aplicativo Caixa Tem e o saque será permitido a partir de 4 de maio.

Apesar de significar um alívio para parte da população, o nova rodada do auxílio está longe de ser suficiente, ainda mais em um contexto pandêmico com elevados índices de desemprego. Criado para que as pessoas pudessem ficar em casa e se proteger da covid-19, mantendo condições mínimas de sobrevivência, o desenho do benefício para este ano coloca dúvidas sobre os reais impactos do auxílio, na avaliação do diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior.

Os efeitos do auxílio emergencial

“O valor médio do auxílio emergencial de R$ 250 por família é muito limitado. A cesta básica no Brasil gira em torno de R$ 650, o que coloca uma série de dúvidas com relação à eficácia do ponto de vista da pandemia e de minimamente lidar com a questão da fome e de suprir as necessidades mínimas das famílias em meio ao ápice (de casos e mortes) que estamos assistindo na pandemia”, contesta o diretor técnico da entidade, Fausto Augusto Júnior, em sua coluna no Jornal Brasil Atual

Há três meses sem auxílio em meio à piora da crise sanitária, a previsão do Dieese é de que as pessoas ainda não terão condições de cumprir o isolamento social. Isso porque elas precisarão continuar trabalhando, correndo o risco de serem infectadas. Fausto calcula que, além do aumento da cesta básica, o valor de R$ 250 hoje compraria em torno de R$ 215 comparado ao ano passado, em função da inflação. Portanto o resultado, segundo ele, deve ser bem menor do que o visto em 2020. Tanto do ponto de vista da recuperação econômica, como, principalmente, na ajuda em relação ao controle da pandemia. 

“Olhando para a pandemia hoje seria fundamental termos um auxílio até, no mínimo, no final ano. Porque sabemos que a vacinação está bem aquém da necessidade e, mesmo depois de controlada (a pandemia), a recuperação da economia deve ser muito lenta”, avalia. “O que não pode acontecer no próximo momento é ver o que vimos nesses primeiros três meses, a terrível falta de planejamento do governo federal e a negação com relação à pandemia. As famílias mais pobres ficaram sem nenhum tipo de auxílio, o que trouxe de volta a fome de maneira muito intensa”, alerta Fausto. 

Assistência menor

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o programa deste ano vai liberar o equivalente a 15% da assistência de 2020. Já para os beneficiários do Bolsa Família será mantido o calendário original, com pagamento a partir do próximo dia 16.

Confira a entrevista

Redação: Clara Assunção


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