Caro Biden

Lula propõe ao G20 plano global de vacinação contra covid, que explode no Brasil

“Responsabilidade dos líderes internacionais é enorme. Peço ao Biden que faça isso, porque não posso. Não acredito no governo Jair Bolsonaro”, diz Lula à CNN dos EUA

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Em entrevista à CNN Lula observa que além de convocar G20, Biden poderia compartilhar excedente de vacinas dos EUA com outros países

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a convocação de uma reunião de emergência do G20. Segundo Lula, em entrevista à CNN norte-americana, o grupo que reúne os 20 países mais ricos do mundo deveria formular um plano conjunto de ações contra a pandemia do novo coronavírus e de aceleração do processo de vacinação em massa. Em pouco mais de um ano, a covid-19 já contaminou mais de 120 milhões de pessoas no mundo e matou 2,7 milhões. O Brasil já enfrenta a pior crise sanitária de sua história e, superando a casa das 3 mil mortes em um único dia, já é o país com maior letalidade do planeta. 

“É importante chamar os principais líderes mundiais e colocar em volta da mesa uma só coisa, uma questão: vacina, vacina e vacina”, disse Lula à jornalista Christiane Amanpour, da CNN. “A responsabilidade dos líderes internacionais é enorme, então estou pedindo ao presidente Biden que faça isso, porque não posso. Não acredito em meu governo (do presidente Jair Bolsonaro). E, também, não poderia pedir isso para Trump, mas Biden é um alento para a democracia do mundo’, afirmou o líder petista. Lula afirmou, ainda, que os Estados Unidos têm mais doses de vacina do que o necessário. Por isso, poderiam doar o excedente a outros países, incluindo o Brasil.

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Negociação por vacina

Desde a entrevista coletiva concedida no último dia 11 de março, Lula voltou ao centro do cenário político. Sua falas em defesa da ciência, pedindo o uso de máscara e clamando pelo distanciamento social foram consideradas como as de um estadista. E causou grande repercussão na imprensa brasileira e global, uma vez que a gestão da pandemia da covid-19 pelo governo Bolsonaro é considerada uma das piores do mundo por organismos científicos. O apelo de hoje por uma reunião do G20 não é a primeira intervenção de Lula a tratar da emergência da vacinação.

O ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão revelou, por exemplo, que há pouco mais de três meses Lula participou de reunião sobre a aquisição da vacina Sputnik V, da Rússia, integrante do G20. A conversa, com o diretor do Fundo de Investimento Direto Russo, Kirill Dmitriev, que financia a produção do imunizante, resultou na compra de 10 milhões de doses pelo governo federal e outras 37 milhões de doses pelo Consórcio do Nordeste, que reúne os nove estados da região.

O ex-presidente foi convidado por Dmitriev para a conversa que ocorreu por videoconferência. “Lula deu ajuda decisiva na negociação para a compra da Sputnik V”, disse Temporão em entrevista a O Globo. Em contraste com a postura negacionista do atual presidente da República, a atuação de Lula tem-se causado alvoroço. Jair Bolsonaro, por exemplo, apareceu de máscara no mesmo dia em que Lula deu entrevista, na quarta-feira. O gesto caro do ocupante da presidência causou a criação do termo “efeito Lula”. A aprovação do ex-presidente – que voltou a ser elegível – voltou a subir, de acordo com pesquisas de opinião realizadas na última semana. 

Caiu nas redes

O ressurgimento do ex-presidente na batalha política mexe também com as redes sociais, onde proliferam posts que pedem mais intervenção de Lula no combate à covid-19. Com bom humor, os internautas pedem que o líder petista faça pelo menos um discurso semanal contra as ideias do “genocida”. O uso do adjetivo com que vem sendo classificado Bolsonaro também aumento depois de o youtuber Felipe Neto ter sido alvo de ação policial por tê-lo chamado de genocida. Entre os avanços do que foi classificado como “efeito Lula”, após a fala do ex-presidente em 10 de março, está a saída do general Eduardo Pazuello do Ministério da Saúde. Porém, enquanto Bolsonaro anunciou a quarta demissão de um ministro da Saúde em um ano de pandemia, ainda não deu posse ao substituto.