CONTRA O GOLPE

Impeachment de Bolsonaro: oposição protocola novo pedido por ‘ameaça à democracia’

Parlamentares apontam que presidente cometeu cinco crimes de responsabilidade ao tentar cooptar Forças Armadas

Marcos Corrêa/PR
Os parlamentares afirma que o presidente Bolsonaro tenta, "de forma autoritária", se apropriar das forças militares

São Paulo – Os líderes dos partidos de oposição protocolaram, na manhã desta quarta-feira (31), um novo pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Eles denunciam Bolsonaro por crimes de responsabilidade por “ameaça à democracia“, após mudanças no comando do Ministério da Defesa e das Forças Armadas. Os parlamentares afirmam que o presidente Bolsonaro tenta, “de forma autoritária”, se apropriar das forças militares. “A utilização das Forças Armadas, por meios violentos ou baseados em graves ameaças institucionais é conduta absolutamente grave. Dado o passado sombrio vivido pelas instituições democráticas brasileiras, tal conduta foi elevada ao patamar de crime de responsabilidade”, destaca o documento.

Nesta última terça-feira (30), foi divulgada a saída coletiva do governo de Jair Bolsonaro dos três comandantes das Forças Armadas. Já na segunda-feira (29), o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo Silva, foi demitido. O pedido de impeachment é assinado pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Jean Paul Prates (PT-RN) e pelos deputados federais Alessandro Molon (PSB-RJ), Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Por que o impeachment de Bolsonaro

Os líderes da oposição afirmam que outro indício de crime de responsabilidade é a ameaça de decretação de um Estado de Sítio pelo presidente e os ataques contra os governadores. O pedido de impeachment de Bolsonaro cita cinco crimes de responsabilidade cometidos.

“Impedir por violência, ameaça ou corrupção, o livre exercício do voto. Servir-se das autoridades sob sua subordinação imediata para praticar abuso do poder, ou tolerar que essas autoridades o pratiquem sem repressão sua. Subverter ou tentar subverter por meios violentos a ordem política e social. Incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina. Provocar animosidade entre as classes armadas ou contra elas, ou delas contra as instituições civis”, apontam os parlamantares.

“Ele trocou o ministro da Defesa num impulso. Sem pensar nas consequências de seu movimento, ele está em xeque. As trocas no Ministério da Defesa e na chefia das Forças Armadas num Brasil em que a sociedade ainda não se recuperou totalmente de um regime militar podem ter implicações graves. Por sorte, percebo nos chefes das Forças Armadas que eles não estão dispostos a fazer o papel de peões no tabuleiro de Bolsonaro”, disse o líder da minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN).