entrevista

Prefeito Edmilson Rodrigues aprova programa ‘Bora Belém’, com renda mínima cidadã

Programa deve alcançar 22 mil famílias vulneráveis na capital paraense. Edmilson Rodrigues (Psol) fala sobre esta e outras iniciativas em entrevista organizada pelo Barão de Itararé

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Edmilson: "Um governo de esquerda, se não consegue fazer revolução, tem que mostrar a intencionalidade de garantir a todos os cidadãos o direito à dignidade e cidadania"

São Paulo – O prefeito Edmilson Rodrigues (Psol), de Belém, sancionou ontem (23) uma lei, batizada de Bora Belém, que garante uma renda cidadã de até R$ 450 para famílias em situação de vulnerabilidade. O benefício deve alcançar 22 mil famílias e começará a ser concedido no Dia Internacional das Mulheres, 8 de março. A proposta, uma promessa de campanha, é colocada em prática com menos de três meses de mandato de Edmilson Rodrigues, que liderou em Belém uma frente que incluiu PT, Rede, PDT, PCB, PCdoB e UP. É a terceira vez que ele ocupa a chefia do Executivo da capital do Pará, sendo as duas primeiras (1997-2005) pelo PT. Para isso, derrotou na última eleição municipal o bolsonarista Delegado Eguchi (Patriotas).

O psolista foi entrevistado na noite desta terça-feira (21) por profissionais de diversos veículos, incluindo a RBA, em encontro virtual promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. “Temos 22 mil famílias que não recebem sequer Bolsa Família ou BPC (Benefício de Prestação Continuada), e que por isso estão passando fome. Então, temos de combater a fome. Quando eu prometi, e um bando de gente dizia que não era possível, dizendo que a cidade era pobre, sem previsão orçamentária. Mas orçamento não é algo só financeiro, pois também tem um conteúdo político. Um governo de esquerda, se não consegue fazer revolução, tem que mostrar a intencionalidade de garantir a todos os cidadãos direito a dignidade e cidadania”, disse sobre o programa.

Reconstrução

O Bora Belém começa a ser distribuído em um momento de fragilidade social, em meio a incertezas sobre a continuidade do auxílio emergencial do e à morosidade da economia diante da falta de ações do governo para reduzir efeitos da pandemia de covid-19 deixam uma legião de desempregados. Entretanto, o programa social não se restringirá apenas ao momento de crise, pois está instituído em Belém um programa de Estado, contínuo, de distribuição de renda, independente de crises pontuais.

Edmilson ainda tem outros projetos no sentido de reativação da economia da capital paraense. Mesmo o Bora Belém tem como aliado a oferta de diferentes cursos de formação para os beneficiados. A prefeitura também está rearticulando um programa amplo de microcrédito. “Estamos preparando nosso exército de educadores e também rearticulamos o Banco do Povo, para voltarmos a ter microcrédito. Às vezes um jornalista precisa de uma câmera fotográfica, mas como comprar, se custa mais de R$ 5 mil? Ou uma grande cozinheira que pode fazer compotas de cupuaçu, bacuri, frutas que temos na Amazônia, e todos se apaixonam”, disse.

Desafios

Além dos desafios de reestruturar a prefeitura de Belém para uma ótica de proteção social, Edmilson Rodrigues enfrenta um cenário político nacional adverso. “Vemos generais servindo a um camarada que, sendo paraquedista, não sabe saltar; dito capitão nunca o foi; e que desde que esteve no Exército aprontou contra a soberania. Inclusive contra princípios que regem o código militar de disciplina e hierarquia. Apesar disso, e apesar de apoiar milícias, de proteger corrupção de amigos, filhos e familiares, tem suporte de parte das forças armadas”, disse sobre Bolsonaro.

“Tenho certeza de que isso não vai durar. As milícias são a confirmação de que ainda vivemos com uma tradição de autoritarismo que por 20 anos teve um papel tão sanguinário e destruidor da soberania nacional. Isso tem tudo a ver com a situação em que se descredenciam a ciência, cientistas, órgãos nacionais e internacionais e até mesmo nossa tradição de mais de um sécul política de imunização completa”, completou.

Covid-19

A mais letal crise sanitária em mais de 100 anos foi negligenciada por Bolsonaro, porque, como o observa Edmilson, o presidente nega a ciência, nega a necessidade de vacinação, nega o isolamento. Se ele não é responsável por todas as mortes, é por grande parte. Agora, a mãe dele tomou vacina. Por que não tomou ivermectina? Não que eu defenda isso, é uma senhora, e não tem culpa pelo resultado da educação dos filhos. Talvez não tivesse a intenção de criar um nazista, um fascista, um criminoso contumaz”, disse Edmilson.

Assista à entrevista na íntegra